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Em 2008, o ministro Guido Mantega disse que a culpa pela alta da inflação era do "feijãozinho"
Brasília - A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou nesta quinta-feira o cultivo e a comercialização do feijão Embrapa 5.1, o primeiro transgênico totalmente desenvolvido no país e resistente à principal praga que ameaça a produção do grão.
A CTNBio assessora o Governo nos assuntos referentes aos organismos geneticamente modificados e define as normas de segurança para regular os transgênicos.
"A decisão marca uma vitória para a ciência brasileira, já que este é o primeiro produto geneticamente modificado totalmente desenvolvido por instituições públicas nacionais", afirmou em comunicado a Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa).
Segundo a Embrapa, considerada o maior centro mundial de pesquisas em agricultura tropical, as sementes do feijão transgênico resistente ao vírus do "mosaico dourado" estarão disponíveis para os produtores em 2014.
O mosaico dourado é a principal praga que afeta o cultivo de feijão na América do Sul e pode causar perdas de até 100% da colheita.
O feijão Embrapa 5.1, cuja produção comercial foi aprovada por 15 votos a favor, duas abstenções e cinco pedidos de mais avaliações entre os membros da CTNBio, é resultado de dez anos de pesquisas da Embrapa.
Segundo o centro de pesquisas, o transgênico oferecerá muitas vantagens econômicas e ambientais. Além de reduzir as perdas dos agricultores e garantir melhores colheitas, sua adoção permitirá diminuir o uso de inseticidas e outros produtos químicos que ameaçam o meio ambiente e a saúde humana.
De acordo com os técnicos da Embrapa, o feijão desperdiçado anualmente no Brasil por causa do mosaico dourado é suficiente para alimentar entre cinco e dez milhões de pessoas.
As remodelações genéticas introduzidas pela Embrapa no feijão permitem que a planta produza uma molécula responsável pela ativação do mecanismo de defesa contra o vírus.
Desde 2006, o transgênico é produzido com sucesso em cultivos experimentais nos estados de Minas Gerais, Paraná e Goiás, os três principais estados produtores de feijão.
Com a praga liberada naturalmente nos cultivos experimentais, o feijão transgênico não desenvolveu a praga, enquanto as plantas convencionais tiveram 90% de perda.
Segundo a Embrapa, os testes também demonstraram a segurança do cultivo do organismo geneticamente modificado tanto para o ambiente como para os seres humanos.
Depois da Índia, o Brasil é o principal produtor mundial de feijão, alimento que, junto do arroz, forma a base da dieta brasileira.
"Por isso, este projeto é um exemplo significativo do impacto social e alimentício do uso da engenharia genética", ressaltou o comunicado da Embrapa, destacando igualmente que cerca de 80% da produção brasileira do feijão provém de pequenos agricultores.
"Na realidade, a importância do feijão na alimentação ultrapassa as fronteiras brasileiras, já que se trata da leguminosa mais importante na alimentação dos mais de 500 milhões de habitantes de América Latina e África", segundo a estatal.
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