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Bonequinhos de gelo derretem em ação do WWF sobre aquecimento global, na Alemanha.
São Paulo - Todos os anos, a Organização das Nações Unidas (ONU), com seus 193 estados-membros, se reúne em algum lugar do mundo para discutir as mudanças climáticas e, principalmente, tentar chegar a um acordo global para redução das emissões de gases efeito estufa. Todos os anos (com exceção de Kyoto, em 1997), o intento é frustrado. Embora não pareça, a sina se cumpriu novamente nas negociações da COP17, que terminou neste domingo, depois de 16 dias de intensos debates na África do Sul.
Apesar de ter sido elogiado positivamente por muitos governos, incluindo o do Brasil, o desempenho da Cúpula de Durban ficou aquém do esperado. Em vez de chegar a um novo acordo legalmente vinculante para cortes de emissões capaz de envolver todas as nações do mundo e de substituir o Protocolo de Kyoto, que expira ano que vem, a reunião fixou apenas um roteiro de médio e longo prazo para um pacto global, adiando as medidas urgentes e decisivas de combate ao aquecimento do planeta. A reunião terminiu com a promessa de criar até 2015 um novo pacto, que entraria em vigor em 2020, um intervalo de tempo considerado perigoso pela ciência.
Para os ambientalistas, o encontro foi um "fracasso", não apenas pelo adiamento de um novo pacto global, mas pela falta de empenho das partes para criação do fundo climático de US$ 100 bilhões prometido na conferência de Copenhague, há dois anos, que ajudaria os países mais pobres a enfrentar a mudança climática. Mesmo o que tem sido apontado como resultado positivo da COP17 - a aprovação da extensão do Protocolo de Kyoto, único acordo de caráter legalmente vinculante de corte de emissões que entrou em vigor em 2005 - pede um olhar mais atencioso.
"O Protocolo só teve impacto sobre os países da Europa. Eles cumpriram boa parte das metas, mas não tudo. No entanto, para o resto do mundo, o acordo foi irrelevante", afirma Eduardo Viola, professor titular de Relações Internacionais da Universidade de Brasília e um dos maiores especialistas em negociações climáticas do país.
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