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O grande objetivo das negociações do clima é evitar o aquecimento do planeta provocado pelas emissões de gases de efeito estufa
Cancún - A Conferência do Clima da ONU, que terminou neste sábado em Cancún (México) com um pacote de medidas aprovadas por 193 países, foi uma boa notícia na luta contra o aquecimento global do planeta, mas os desafios continuam enormes, dizem especialistas.
"Este não é o fim, mas um novo começo. Não é tudo o que era preciso, mas representa as fundações essenciais sobre as quais podemos construir uma maior ambição coletiva", expressou a chefe da Convenção do Clima da ONU, a costarriquenha Christiana Figueres.
A Conferência de Cancún aprovou na madrugada de sábado um pacote de medidas contra as mudanças climáticas, em meio a aplausos dos mais de 190 negociadores, que conseguiram fechar um acordo após o fracasso da Conferência de Copenhague um ano antes.
"As negociações do clima saíram da unidade de terapia intensiva e colocaram o mundo mais perto do acordo global que não foi conquistado em Copenhague", afirmou a rede internacional de ONGs Oxfam.
Mas ainda resta muito a fazer para enfrentar os impactos do aquecimento global do planeta, reconhecem os negociadores, e advertem os ambientalistas que andavam às centenas pela Conferência.
"Cancún lança uma ordem clara para que sejam estimuladas as ações que a ciência e a opinião pública pedem. A sociedade civil não permitirá que países como Canadá, Estados Unidos e Japão se escondam, enquanto as ameaças das mudanças climáticas impactam cada vez mais os pobres em países vulneráveis", declarou à AFP Tim Gore, assessor do Clima de Oxfam.
A rejeição de Japão e Rússia de se comprometer com novos cortes de emissões de carbono para além de 2012 do Protocolo de Kioto e as reticências de Estados Unidos e China - os maiores emissores do planeta - em melhorar suas ofertas, se tornaram grandes obstáculos na reunião.
Mas os negociadores conseguiram um acordo para manter vivas as negociações, que deverão ser concluídas com a extensão para além de 2012 do Protocolo de Kioto, o único instrumento hoje vigente que obriga os países ricos a cortar suas emissões de gases de efeito estufa.
A renovação de Kioto, que envolve novos compromissos de cortes de emissões dos países ricos, é o complicado tema que a próxima Conferência do Clima, que será realizada em Durban (África do Sul) no fim do ano que vem, herdará.
O grande objetivo das negociações do clima é evitar o aquecimento do planeta provocado pelas emissões de gases de efeito estufa. Este fenômeno, que afeta desde a agricultura até o nível dos mares, a longo prazo irá aumentar os extremos climáticos, dificultará o acesso à água e aos alimentos, sobretudo para os mais pobres e vulneráveis do planeta.
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