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A usina de Belo Monte, quando estiver operando plenamente, deve gerar por volta de 39.360 GWh por ano, montante cinco vezes menor do que a nova demanda
São Paulo - As mudanças climáticas têm gerado uma preocupação crescente em relação às emissões de gases de efeito estufa (GEE).
Nesse cenário, a substituição dos carros utilizados hoje por equivalentes movidos a eletricidade é vista como alternativa bastante atraente para redução das emissões de poluentes.
Mas o que muitos ignoram é que tal mudança pode representar um acréscimo significativo na demanda por energia elétrica, que terá de ser produzida principalmente em usinas hidrelétricas ou térmicas, em processos que também emitem GEE ou têm outros impactos ambientais.
Segundo cálculos da consultoria Andrade & Canellas, a substituição dos veículos hoje em circulação no Brasil por modelos elétricos exigiria que o parque gerador brasileiro produzisse mais 190.108 GWh por ano. Ou seja, para que o sistema elétrico nacional gerasse energia suficiente para abastecer toda a frota atual de veículos leves movidos a gasolina ou etanol, seria necessário construir cinco usinas hidrelétricas semelhantes à de Belo Monte ou três usinas como a de Itaipu.
“Diante da disponibilidade de etanol a custo competitivo no país, a questão do carro elétrico precisa ser avaliada de maneira ampla, não apenas como uma panaceia que resolverá todo o problema da mudança climática”, afirma a gerente do Núcleo de Energia Térmica e Fontes Alternativas da consultoria, Monica Rodrigues de Souza.
Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), o Brasil possui, hoje, cerca de 39 milhões de veículos leves emplacados. Cada um deles consome, em média, 1,4 toneladas equivalentes de petróleo (tep) por ano, o que resulta em um gasto total de 54 milhões de tep pela frota de automóveis leves.
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José Carlos Fontes
A adoção do carro elétrico não acontece do dia pra noite: ocorre lentamente. E há muitas outras maneiras...
20.12.2011 | Ler comentário completo |