Mais um dado deve reafirmar a (lenta) retomada

Nesta quinta-feira um novo dado deve ajudar a calcular o que está por vir na economia brasileira: o Índice de Atividade Econômica do Banco Central

Os dados econômicos divulgados nesta semana fizeram os economistas tirarem suas calculadoras da gaveta para revisar o PIB esperado para o segundo trimestre. Nesta quinta-feira um novo dado deve ajudar a calcular o que está por vir na economia brasileira: o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado a prévia do PIB, do mês de junho.

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Após a queda de 0,51% no mês de maio, a consultoria GO Associados projeta uma alta de 0,5% no IBC de junho, fechando o segundo trimestre com avanço de 0,2%. Se a alta vier, o IBC será mais um dado positivo da semana. Na segunda-feira, o varejo mostrou uma alta de 2,5% na comparação com o segundo trimestre do ano passado e um avanço de 0,8% na comparação com o primeiro trimestre. Ontem, o setor de serviços surpreendeu ao crescer 1,3% em junho e fechou o segundo trimestre com a alta de 0,3% sobre o início do ano.

A produção industrial , divulgada no início do mês, também mostrou avanço no segundo trimestre, de 0,9%, na comparação com os meses de janeiro a março. “No primeiro trimestre a alta do PIB foi motivada apenas pela agricultura. Agora esses dados do segundo trimestre mostram que a recuperação da economia está acontecendo de forma mais difusa. A economia está ganhando tração”, diz Luiz Fernando Castelli, economista da GO Associados.

Como serviços, varejo e indústria representam quase 90% do PIB, economistas passaram a projetar que o PIB entre abril e junho ficará no zero a zero ou terá uma leve alta. A perspectiva de um PIB negativo para o ano parece ter ficado pra trás.

Os números têm mostrado recuperação apesar do cenário político tumultuado. Enquanto o PIB mostra sinais de retomada, os problemas de longo prazo do país continuam a aumentar. A revisão da meta prevista para este e para os próximos anos, anunciada pelo governo na terça-feira, deve levar a dívida bruta do país a 92,4% do PIB em 2023, segundo o Instituição Fiscal Independente do Senado. Neste cenário, o país só voltará a ter um superávit fiscal em 2023.

Segundo o Fundo Monetário Internacional, o Brasil deve crescer 0,3% em 2017 e 1,3% em 2018. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, diz que o país crescerá menos de 0,5% este ano. A retomada da economia deve ser comemorada, mas ainda há muito para avançar.

Comentários

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  1. Roberto Neves Almeida

    Vamos a aulinha: não confunda aumento de PIB com crescimento econômico. UMA ECONOMIA CRESCE SE SATISFIZER A DIVERSAS CONDIÇÕES: aproveitamento de recursos de infraestrutura, evolução tecnológica, regulação saudável, aumento do poder de compra das famílias e crédito disponível. Permeando isto se incrementam os ganhos de produtividade e o nível de investimento interno e externo. Como se pode ver isto nada tem a ver com teto de gastos, reforma trabalhista ou da previdência. Entenda que pequenos ganhos nada significam pois é um processo maior, depende de fatores como educação, combate à corrupção e consciência de cidadania de toda a nação. Como costumo exemplificar se chovesse ouro hoje no Brasil provavelmente amanhã estaríamos mais pobres e com uma inflação brutal.