Indústrias e sindicatos pedem mudanças na economia

Industriais brasileiros costuram com as centrais sindicais um texto conjunto para pedir foco das políticas públicas ao setor, endereçado à presidente Dilma

Brasília – Industriais brasileiros costuram com as centrais sindicais um texto conjunto, batizado “Manifesto da Coalizão Capital-Trabalho para a Competitividade e o Desenvolvimento”, para pedir foco das políticas públicas ao setor.

O manifesto, a ser anunciado neste mês, será endereçado à presidente Dilma Rousseff, ao Congresso e aos governadores, mas também cita os ministros da Fazenda, do Planejamento e do Desenvolvimento.

O documento, obtido pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, foi preparado por 39 entidades industriais e pelas principais centrais sindicais. “A competitividade da indústria de transformação nacional está sendo destruída”, dizem as entidades, que listam quatro eixos para o ataque: os juros elevados (e que continuam aumentando), o câmbio ainda valorizado, a carga tributária que também está em elevação pelo governo e a cumulatividade de impostos.

Neste ponto, as empresas afirmam que “os tributos escondidos que incidem cumulativamente, por exemplo, sobre as cadeias da construção civil, automotiva e de máquinas e equipamentos oneram adicionalmente os produtos nacionais entre 10% a 15%”. Além de pedir racionalidade da política monetária, os industriais querem desoneração de impostos. Ou seja, o oposto do que tem sido praticado pelo governo federal, por exemplo, desde o início de 2015.

Além do aumento de impostos sobre o crédito ao consumidor e sobre combustíveis anunciado em janeiro, de R$ 20,6 bilhões, o governo também anunciou na semana passada a elevação do tributo sobre o faturamento das empresas antes beneficiadas com a desoneração da folha de pagamentos. “A indústria de transformação tem a maior carga tributária entre todos os setores da economia, pois de tudo o que produz 45% viram impostos. A sociedade brasileira não aguenta mais aumento de imposto”, dizem as entidades.

Seguro

Industriais e sindicalistas também apontam o dedo, de forma indireta, para a proposta de apertar benefícios trabalhistas, como o seguro-desemprego: “Precisamos equilibrar as contas públicas pela racionalização e transparência das despesas, preservando os direitos sociais e trabalhistas”.

Em 2014, a indústria de transformação registrou um gigantesco déficit comercial, de US$ 111 bilhões. Com isso, advogam as empresas, os empregos são gerados no exterior, e não no Brasil. Neste ponto está a senha para a chamada “coalizão” entre industriais e trabalhadores. “A questão que se coloca à sociedade, ao governo, ao Congresso Nacional e à Nação é: queremos ter uma indústria no País ou queremos vê-la sucateada como está ocorrendo?”, questionam as entidades no documento.

Entre as entidades que assinam o documento estão o Instituto Aço Brasil, Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Única), Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) entre outros. Pelas sindicalistas estão Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores (UGT) e Central de Trabalhadores do Brasil (CTB), além dos maiores sindicatos do País, dos Metalúrgicos do ABC, ligado à CUT, e dos Metalúrgicos de São Paulo, ligado à Força Sindical.