IFI estima queda de 0,3% no PIB no segundo trimestre

Apesar da estimativa de retração no período, o relatório prevê uma alta de 0,46% do PIB no ano

Brasília – A Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado divulgou na manhã desta segunda-feira, 10,o Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) de julho, que traz avaliações sobre a conjuntura da economia brasileira e suas implicações para execução fiscal do governo.

O órgão estima uma retração de 0,3% no PIB no segundo trimestre do ano, embora ainda preveja uma alta de 0,46% do PIB no ano.

“Os indicadores de confiança continuam negativos, influenciados pelas turbulências do cenário político. Mas pelo fato de haver reservas internacionais importantes, o câmbio e a curva de juros permanecem comportados”, afirmou o diretor executivo do IFI, Felipe Salto. “E no emprego há uma redução nas demissões, mais do que uma alta na contratações”, completou.

Devido a essa ainda lenta recuperação da economia, o IFI acredita que o Banco Central (BC) poderia reduzir a taxa Selic para menos de 8% ainda este ano.

“Não estamos dizendo que o BC deveria fazer isso, mas que as condições atuais da economia tornam possível chegar a esse patamar de juros. Mantemos a nossa projeção para a Selic em 8,5% ao fim deste ano”, avaliou Salto.

O IFI considerou que a situação das contas externas continua favorável, mas esse quadro também se deve ao impacto da queda da atividade econômica, que derrubou as importações e favoreceu o crescimento do saldo comercial.

Entre os destaques do relatório está um box sobre a carga tributária brasileira, mostrando sua queda nos últimos anos. O IFI estima que a tributação no Brasil deve ficar em 31,5% do PIB em 2017.

Segundo Salto, a crise econômica e as desonerações explicam essa redução da carga. “Sem as desonerações, o desempenho da arrecadação poderia estar pelo menos quatro pontos porcentuais do PIB acima da carga efetiva atual”, continua o relatório.

O IFI alertou ainda que o espaço de corte das despesas discricionárias vem se reduzindo drasticamente, já que os gastos por ministério caíram bastante em relação a 2016. Além disso, a partir de 2020 o Teto de Gastos terá restrição efetiva, exigindo mudanças no gasto obrigatório do governo.