Houve exagero e imprudência na Carne Fraca, avalia Furlan

Ex-ministro da Indústria e Comércio e membro do Conselho de Administração da BRF, Luiz Fernando Furlan lamentou as consequências para o agronegócio

Brasília – O ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Luiz Fernando Furlan avaliou que houve imprudência na forma de divulgação das informações envolvendo frigoríficos investigados no âmbito da Operação Carne Fraca.

“Há consciência de que houve exagero e precipitação”, disse Furlan ao participar da conferência organizada pelo Council of The Americas.

Furlan lamentou as consequências dessas informações para o agronegócio e para o Brasil, com a suspensão das importações de carne por parte da União Europeia, China, Hong Kong, Suíça e Chile.

Além de ex-ministro, Furlan é membro independente do Conselho de Administração da BRF. Ao conversar com jornalistas, ele ressaltou que falava como ex-ministro, e não como porta-voz da empresa.

“Abrir mercado é uma coisa lenta, gradual, sempre tem muita resistência de quem vai ter concorrentes, como produtores internos ou outros países fornecedores”, disse. “Qualquer pretexto é um pretexto. Infelizmente houve uma imprudência que está sendo corrigida.”

Furlan ressaltou que as irregularidades encontradas não afetam a saúde pública. Ele avaliou que os casos envolvendo merenda escolar e a inclusão de carne de cabeça de porco em linguiça são antigos e pontuais, mas ressaltou que os estragos são duradouros e reforçam medidas protecionistas de competidores internacionais.

“Tem muitas coisas misturadas. Era o momento de decantar e ver o que exatamente existe de errado, que é um pouco o que se falou ontem e antes de ontem (Domingo de segunda-feira) e, e, a partir daí, corrigir o que está errado”, disse.

“Não tem uma epidemia. Tem que curar uma coisa ali e outra aqui”, avaliou.

Furlan disse, no entanto, que uma resposta rápida do governo brasileiro pode inibir sanções duradouras. “O número de exportadores é muito grande, em regiões e situações diferentes. O Brasil tem essa flexibilidade, e agora o trabalho é frear um pouco isso”, afirmou. “Acredito que vamos superar isso, mas vai demandar um trabalho muito grande.”