Há nível de ociosidade na economia brasileira, diz diretor do BC

Apesar disso, Carlos Viana falou sobre a perspectiva de recuperação gradual da atividade econômica ao longo do ano

São Paulo e Brasília – O diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Carlos Viana, disse nesta quinta-feira, 20, em Washington que a economia brasileira ainda apresenta alto nível de ociosidade.

Apesar disso, ele transmitiu a participantes de um evento promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) na capital norte-americana a perspectiva de recuperação gradual da atividade econômica ao longo do ano.

De acordo com os slides da apresentação divulgados pelo BC, o desempenho da atividade econômica vem sendo consistente com a estabilização no curto prazo.

O cenário internacional, conforme a apresentação, segue incerto, mas com a economia global apresentado atividade mais forte e impacto positivo dos preços das commodities, apesar da volatilidade recente.

Viana pondera em sua apresentação que há incertezas sobre a continuidade do crescimento global, bem como em relação aos atuais níveis de preços das commodities.

Ao repetir pontos que foram considerados nareunião do Comitê de Política Monetária (Copom) deste mês, quando a taxa básica de juros foi reduzida em 1 ponto porcentual, o diretor do BC mostrou que a alta incerteza no cenário global pode tornar a desinflação mais difícil.

A aprovação de reformas “fundamentais à sustentabilidade fiscal” pode ser um processo prolongado e envolve incertezas, segundo Viana.

Essas reformas, incluindo a da Previdência, são importantes à sustentabilidade do processo de desaceleração da inflação, além da redução da taxa de juros estrutural da economia, avaliou o diretor.

Inflação

Na apresentação,Viana reforçou a avaliação da instituição de que a inflação apresenta dinâmica favorável, com sinais de baixa persistência.

Ele transmitiu aos participantes que o processo de desinflação está mais disseminado no Brasil e que as expectativas sobre a inflação estão ancoradas abaixo da meta, de 4,5%, para 2017.

Os slides da apresentação foram publicados no site do BC.

De acordo com seu conteúdo, Viana salientou o que os alimentos mostram choque favorável.

Sem esse choque, a inflação medida pelo IPCA seria aproximadamente 0,3 ponto porcentual maior nos últimos dois trimestres.