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Se há alguma coisa com a qual se pode contar com certeza, no Brasil de hoje, é o papel desempenhado pelo PT como sinalizador de tudo o que é ruim na vida política brasileira. Não falha nunca. Seja qual for o lado que o partido do governo escolhe, em qualquer questão, o cidadão pode estar seguro de uma coisa: é o lado errado. Aconteceu mais uma vez, na semana passada, com a manobra que impediu a votação na Câmara dos Deputados do projeto "Mãos Limpas", uma modesta tentativa de conter um pouco a safadeza que, ao longo do tempo, reduziu praticamente a zero o respeito ao Parlamento e aos parlamentares brasileiros. Não adiantou que o projeto fosse uma iniciativa popular, com o peso de 1,6 milhão de assinaturas - a única maneira, aliás, de levar o assunto até a apreciação dos congressistas, pois nunca fariam isso por conta própria. Também não adiantou o fato de que não se pedia nada de mais no projeto: ele estabelecia, apenas, que parlamentares condenados na Justiça - e condenados já em nível de órgãos colegiados, acima da primeira instância - não pudessem, a partir de agora, se candidatar a eleições. Só isso. Mas nem mesmo esse pouquinho o PT quer aceitar. Com a ajuda de seus sócios do PMDB, hoje promovidos a heróis do governo democrático e popular, a votação foi bloqueada, e o assunto, enfiado numa gaveta.
Como sempre se observa nessas ocasiões, foi dito que o projeto, sozinho, não resolveria o problema da degeneração geral da política brasileira. É claro que não; nenhuma medida, isoladamente, é capaz de solucionar calamidades desse tamanho. O diabo é que, pensando e agindo assim, os políticos não resolvem nada, nunca - não melhoram as partes e não melhoram o todo. O episódio em questão era um exemplo pronto e acabado de como melhorar, na prática, pelo menos um aspecto da situação. Nada mais simples: tratava-se, apenas, de escolher entre mãos limpas e mãos sujas. Não deu - e aí fica inútil discutir com base em argumentos, pois quem controla os mecanismos de decisão não está interessado em ouvir explicações. É muito fácil entender isso quando se considera que o deputado Miro Teixeira, um dos incentivadores do projeto, tinha um argumento perfeito para resolver a discussão de uma vez por todas: para poder se candidatar a eleições, os políticos deveriam simplesmente cumprir as mesmas exigências que se faz ao cidadão interessado em concorrer a algum cargo por meio de concurso público. Um brasileiro que queira prestar concurso para carteiro, por exemplo, não pode ter uma condenação penal; por que um deputado ou senador poderia? Não há como contestar, em termos de lógica, senso mínimo de justiça ou simples decência, a argumentação do deputado. É por isso, precisamente, que ela foi tão combatida.
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