Guerra dos EUA contra nós é econômica, não militar, diz Irã

Segundo o líder supremo do país, a guerra econômica se baseia "na imposição de sanções e na negação de oportunidades"

Teerã – O líder supremo da República Islâmica do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, assegurou nesta quarta-feira que a “verdadeira” guerra dos Estados Unidos contra seu país é “econômica” e que as ameaças de recorrer à opção militar são “mentira”.

“Os EUA querem, com a reiteração do truque da ameaça e da guerra militar, desviar a atenção dos responsáveis do Irã do cenário verdadeiro de guerra, que é o econômico”, disse o aiatolá em discurso na cidade de Tabriz.

Khamenei afirmou que são “mentira” tanto as declarações americanas de que “a opção militar está sobre a mesa” como as advertências de responsáveis europeus que, “sem o acordo nuclear, a guerra era certa”.

Segundo as declarações do líder supremo veiculadas em um comunicado oficial, a guerra econômica se baseia “na imposição de sanções e na negação de oportunidades à população para promover negócios no país”.

Por isso, Khamenei pediu às autoridades iranianas que “dediquem todos os seus esforços para solucionar problemas como o desemprego, a recessão, a inflação e as diferenças sociais”.

Além disso, o aiatolá destacou que o Irã tem na atualidade um papel regional e global, como na mediação para terminar com a guerra na Síria, que nem Washington pode desprezar.

“Hoje, todos reconhecem o poder determinante do Irã e sabem que, em quase todos os assuntos da região, caso o Irã não esteja presente e não tenha a vontade”, não serão solucionados, acrescentou o líder supremo da República Islâmica.

As relações entre EUA e Irã pioraram bastante desde a chegada de Donald Trump à Casa Blanca, que advertiu que Teerã “está brincando com fogo”.

Washington impôs sanções a 13 indivíduos e 12 entidades iranianas depois que Teerã realizou um teste com um míssil balístico no fim de janeiro.

As autoridades iranianas anunciaram medidas recíprocas às sanções e também ao veto migratório de Trump aos cidadãos do Irã e de outros seis países de maioria muçulmana, um decreto que acabou sendo suspenso pela Justiça americana.