FMI: volatilidade vai disparar sem reformas prometidas nos EUA

Para o diretor do Departamento de Assuntos Monetários da instituição, a confiança dos mercados "está baseada em uma visão positiva" da situação

Washington – O Fundo Monetário Internacional (FMI) advertiu nesta quarta-feira que a “volatilidade financeira poderia disparar” nos Estados Unidos se as reformas tributárias e de desregulamentação prometidas pelo presidente Donald Trump não se materializarem.

“Nos Estados Unidos, se as reformas tributárias e a desregulamentação anunciada gerarem trajetórias de crescimento e de dívida menos favoráveis que o esperado, os prêmios de risco e a volatilidade podem disparar”, afirmou o Fundo em seu relatório de “Estabilidade Financeira Global”.

O trabalho reitera que como “os mercados financeiros e a confiança dos investidores cresceram à espera deste estímulo fiscal prometido” por Trump em forma de redução de impostos, aumento dos gastos públicos e desregulamentação financeira, se isso finalmente não se concretizar “a estabilidade financeira estaria comprometida”.

Para o diretor do Departamento de Assuntos Monetários da instituição, Tobias Adrian, a confiança dos mercados “está baseada em uma visão positiva” da situação.

Sobre a marcha à ré na regulamentação financeira adotada após a crise financeira de 2008, a organização dirigida por Christine Lagarde indicou que, “embora haja espaço para melhorar algumas das regras existentes, as autoridades deveriam evitar uma dissolução integral no importante progresso realizado para fortalecer a resistência do sistema financeiro”.

“Especialmente, quando a estrutura dos balanços das companhias americanas está deteriorando”, acrescentou o FMI ao comentar o alto endividamento das empresas dos EUA estimulados pelo ambiente de baixas taxas de juros dos últimos anos.

Trump criticou frontalmente a reforma financeira nos EUA, conhecida como Lei Dodd-Frank e aprovada por seu antecessor, Barack Obama, que aumenta a supervisão e exige mais robustez de capital às entidades, como um freio para a expansão econômica, e prometeu revogá-la.