FED: decisão envolta em incerteza

Quando o FED, o banco central americano, se reúne para discutir as taxas de juros do país, como acontecerá hoje, o mundo para. Foram tantos sinais truncados apresentados nos últimos meses que os investidores estão especialmente ansiosos. Até ontem, 18% dos analistas previam um aumento em setembro, e 48%, em dezembro. Estudo do banco Goldman Sach mostra que em apenas duas ocasiões o FED alterou os juros sem que ao menos 70% dos investidores esperassem.

As taxas do país estão estacionadas em 0,25% a 0,50% desde dezembro, quando foram elevadas pela primeira vez em uma década. Na oportunidade, o Fed sinalizou mais quatro aumentos em 2016, a depender da atividade econômica e, principalmente, de um baixo índice de desemprego. Acontece que o país está praticamente no pleno emprego, com taxa de 4,9% em junho. O banco está dividido. Nas últimas semanas, quatro dos conselheiros do Fed falaram publicamente que pode ser hora de subir os juros, enquanto outros três disseram não ter pressa nenhuma.

À espera de um possível aumento, investidores venderam mais de 1 trilhão de dólares de títulos atrelados a juros baixos na semana passada. Em outra movimento, fundos venderam ouro em agosto em patamares recordes para três meses. Uma alta nos juros é ruim para o ouro, considerado um investimento alternativo seguro.

Enquanto isso, investidores mundo afora estão paralisados. Ontem, o índice europeu Stoxx Europe 600 caiu 0,1% na espera da decisão do Fed. Nos Estados Unidos, a S&P 500 subiu 0,03%. No Brasil, a bolsa subiu 0,67% ontem. Para nós, qualquer ameaça de aumento dos juros pode drenar investimentos para os Estados Unidos. Se a decisão ficar para dezembro, e sinais truncados continuarem a ser enviados, a ansiedade – e o imobilismo – só farão crescer.