EUA lideram reação contra queixas de emergentes no G20

Países ricos afirmaram que emergentes precisam colocar suas próprias casas em ordem e avançar com a agenda de impulsionar o crescimento global

Sydney – Os países ricos do mundo reagiram nesta sexta-feira contra as reclamações dos mercados emergentes sobre os efeitos de suas políticas monetárias, afirmando que esses últimos precisam colocar suas próprias casas em ordem e avançar com a agenda de impulsionar o crescimento global.

Conforme ministros das Finanças e chefes de bancos centrais do Grupo de 20 países desenvolvidos e emergentes se reúnem antes do encontro do fim de semana em Sydney, muitos já estão falando em propósitos cruzados.

Países emergentes querem que o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, calibre a redução de seu estímulo para mitigar o impacto em suas economias e mercados financeiros. Países desenvolvidos respondem que os problemas no mundo emergente são em sua maioria produzidos dentro deles mesmo e taxas de juros domésticas precisam ser determinadas com as recuperações domésticas em mente.

Um esboço do comunicado, noticiado pela Bloomberg News, destacou como a busca por crescimento prevaleceu sobre as preocupações com a volatilidade nos mercados emergentes que ameaçavam ofuscar a reunião.

“Estamos comprometidos em desenvolver novas medidas para elevar de forma significativa o crescimento global, ao mesmo tempo em que mantemos a sustentabilidade fiscal”, diz o esboço segundo a Bloomberg.

“Reconhecemos que as políticas monetárias expansionistas em economias avançadas precisarão se normalizar no devido momento, em linha com crescimento mais forte.” Formuladores de política dos mercados desenvolvidos veem pouco risco de a recente turbulência virar o tipo de contágio que levou a uma ação coordenada do G20 após a crise financeira global.

“Mercados emergentes precisam adotar medidas próprias para colocar sua casa fiscal em ordem e adotar reformas estruturais”, disse o secretário do Tesouro dos EUA, Jack Lew, em uma conferência financeira em Sydney antes das reuniões ministeriais.


Esse foi um sentimento repetido pelos ministros das Finanças de Japão, Grã-Bretanha e Alemanha.

O alemão Wolfgang Schaeuble disse à CNBC que países emergentes precisam primeiro fazer sua lição de casa, antes de exigir solidariedade do resto do G20.

O japonês Taro Aso afirmou que a redução do estímulo do Fed é positivo já que reflete uma melhora na economia norte-americana, mesmo que levante o risco de fortes saídas de capital de outros países.

“É importante que economias emergentes corrijam essas coisas com seus próprios esforços”, disse Aso em Tóquio.

Países em desenvolvimento da África do Sul à Turquia e Rússia viram suas moedas desvalorizar nos últimos meses uma vez que a perspectiva de retornos mais altos nos EUA drenou fundos externos de suas economias.

O vice-primeiro-ministrode e Estratégia e Finanças da Coreia do Sul, Hyun Oh Seok, sugeriu que o Fed e outros importantes bancos centrais poderiam ao menos esforçar-se para evitar surpresas em sua política.

“A redução do estímulo deveria ser realizada de uma maneira muito ordenada e cuidadosamente calibrada dado que a economia global hoje está bastante interconectada”, disse Hyun à Reuters, referindo-se ao quantitative easing, normalmente na forma de compras pelo banco central de títulos ou outros ativos.