Empresários acreditam que 2012 será mais sombrio que 2011

Pesquisa mostra que a crise de dívida pública na Europa e o ambiente de incertezas estão afetando a confiança dos líderes empresariais em realizar novos negócios

São Paulo – Se 2011 foi um ano difícil para alguns empresários, 2012 poderá ser ainda pior. O alerta é da consultoria Grant Thornton, que realizou uma pesquisa com 11.500 homens de negócios em cerca de 40 economias ao redor do globo. De onde vem tanto pessimismo? A resposta é a crise de dívida pública que predomina na Europa.

No último trimestre do ano passado, o otimismo global para o ambiente de negócios ficou estagnado em 0%, o que indica um equilíbrio entre os empresários que estão confiantes no bom desempenho de suas economias e os que não estão.

O resultado é pior do que o visto nos três meses imediatamente anteriores, quando a confiança atingiu 3%, e está bastante distante dos 31% registrados no segundo trimestre de 2011.

“Os temores estão aumentando, fazendo com que as perspectivas de negócios neste ano se tornem ainda mais difíceis do que em 2011”, destaca Ed Nusbaum, CEO da Grant Thornton.

“A ameaça de colapso total na zona do euro significa que os líderes empresariais continuam incertos sobre 2012 – eles simplesmente não sabem o que vai acontecer. Essa incerteza está minando a confiança e asfixia as perspectivas de realização de novos negócios”, completa.

Em termos regionais, o nível de otimismo apresenta resultados mistos. Nas economias emergentes, em especial nos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), a confiança cresceu entre o terceiro e quarto trimestre de 2011, avançando de 25% para 34%, enquanto na América do Norte aumentou de 3% para 6% no mesmo intervalo de tempo.

O crescimento do otimismo nos BRICs compensa a forte queda observada na Europa, onde o índice declinou de 0% entre julho e setembro de 2011 para -17% no último trimestre. Nos países que integram a zona do euro, o recuo foi de 2% para -16%.


“O resultado reflete a posição perigosa da economia global. Mercados chave como Brasil, China e Estados Unidos estão compensando a falta de uma solução para a crise de dívida na Europa”, justifica Nusbaum.

Mais dados ruins

A pesquisa da Grant Thornton também sugere que o comércio global está sendo afetado. Após um aumento de 10 pontos percentuais no terceiro trimestre de 2011, a falta de encomendas cresceu ainda mais no último trimestre do ano passado, totalizando um avanço de cinco pontos percentuais, para 37% no total a nível global.

O resultado está atribuído ao crescimento de nove pontos percentuais na falta de encomendas em toda a região da zona do euro, seguida pela América do Norte (alta de sete pontos percentuais) e pelos BRICs (avanço de quatro pontos percentuais).

Os empresários consultados ainda se mostraram menos esperançosos por um aumento nas receitas e nos lucros de suas empresas. As expectativas de recuo nos ganhos caíram significativamente na União Europeia, e em menor proporção na América Latina e nos países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

Na contramão, os Estados Unidos surpreenderam: os homens de negócios por lá preveem um avanço nas receitas e nos lucros em 2012, e 35% do total de consultados revelaram que planejam contratar novos trabalhadores durante os próximos 12 meses. A cifra é superior aos 17% observados no levantamento referente ao terceiro trimestre de 2011.

“Em todo o mundo, as perspectivas de crescimento são mistas. As empresas estão tendo que trabalhar mais do que nunca para manter as margens e a competitividade diante de ventos contrários econômicos. E a definição sobre o futuro do euro será vital para observar uma melhora ou uma piora neste cenário”, conclui Ed Nusbaum, CEO da Grant Thornton.