Detroit começa a cortar água de quem não paga conta

Falida, a cidade toma medidas impopulares e enfrenta onda de protestos

São Paulo – Desde março, a cada semana, três mil consumidores têm seu acesso à água potável interrompido na cidade de Detroit, no Meio Oeste americano, porque não conseguem pagar as contas que acumulam.

O abastecimento de água é suspenso para quem atrasa o pagamento de contas que superam US$ 150 (cerca de R$ 330) ou que tenham tarifas atrasadas há mais de seis meses.

Segundo o grupo ativista Detroit Water Brigade, os principais alvos do corte de água são as famílias mais vulneráveis, majoritariamente formadas por negros de baixa renda.

Atualmente, metade dos 323 mil clientes atendidos pelo  Departamento Municipal de Água e Saneamento de Detroit ou pagam em atraso suas faturas ou simplesmente não conseguem arcar com os custos crescentes do serviço.

Como se sabe, a cidade de Detroit está falida, e tem feito cortes duros e tomado medidas impopulares. Há duas semanas, o Conselho Municipal de Detroit aprovou um aumento de 8,7% na tarifa de água.

Em 2013, Detroit declarou falência. Hoje, o Departamento Municipal de Água e Saneamento tem uma dívida estimada em US$ 5 bilhões e vem sendo objeto de negociações para uma possível privatização.

As organizações comunitárias enviaram uma queixa formal às Nações Unidas, exigindo que estado do Michigan imponha uma moratória sobre os desligamentos.

Especialistas da ONU responderam de forma crítica, condenando a ação como uma violação aos direitos humanos.

“Desconexões devido à falta de pagamento só são admissíveis se puder ser demonstrado que o residente é capaz de pagar, mas não está pagando”, ponderou Catarina de Albuquerque, relatora especial da ONU sobre o direito à água potável e saneamento.

“Em outras palavras, quando há incapacidade genuína de pagar, os direitos humanos simplesmente proíbem desconexões.”

Para ajudar quem precisa, o grupo Water Brigade está estocando garrafas de água e galões e capacitando organizações sem fins lucrativos para fazer o mesmo, a fim de combater a desidratação, o principal sintoma físico da privação de água.

Não é a primeira vez que o governo muncipal toma medidas que geram protestos.

No ano passado, a energia para aquecimento foi cortada para 169.407 famílias, que também tinham contas em débito.