Desempenho das vendas de fim de ano ainda é incerto

Para a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a incerteza dos comerciantes é causada pela grande flutuação nas vendas deste ano

São Paulo – As encomendas do varejo para atender a demanda das vendas de final de ano devem ter início na metade de agosto, como tradicionalmente são feitas, mas o volume dos pedidos deverá ser mais diluído ao longo dos meses até o Natal. Segundo o assessor econômico da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FecomercioSP), Altamiro Carvalho, a tendência é que a maior parte das encomendas seja feita até o meados de setembro, mas, com a incerteza econômica, é esperado um prolongamento do período de compras por parte do comércio até outubro ou mesmo novembro. “Custa caro errar”, diz Carvalho sobre o risco de ter estoque muito elevado. “Qualquer perturbação no comércio pode fazer com que as famílias se protejam e consumam menos no final do ano.”

Para o economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) Emilio Alfieri, a incerteza dos comerciantes é causada pela grande flutuação nas vendas deste ano. “O primeiro semestre foi fraco, um mês bom, outro ruim. Com os incentivos dá para vender, mas sem eles existe dúvida”, diz Alfieri, referindo-se a medidas de estímulos, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) concedidos pelo governo para a linha branca, automóveis e móveis, que deram fôlego ao comércio. O benefício termina em agosto para os dois primeiros tipos de produto e em setembro, para móveis.

Alfieri também diz que o cenário externo, especificamente a crise na Europa e desaceleração da China, tem profundo efeito no resultado da economia brasileira. Ele lembra, ainda, que até o momento o mau humor observado fora do Brasil não causou demissões, o que pode garantir a redução da inadimplência e melhores resultado para o comércio.


Caso a inadimplência não caia, ou demore a cair, o economista avalia que o cenário será diferente. Os consumidores tenderão a usar o 13º salário para saldar dívidas e, portanto, o consumo será protelado para depois do Natal. “De todo modo, se o 13º for usado para cobrir o endividamento das famílias e não para o consumo, as vendas pós-Natal devem ser boas”.

Carvalho, da FecomercioSP, avalia que o crescimento do comércio em São Paulo e região metropolitana deverá ser de 5% em 2012, resultado melhor que o do ano passado, que foi de 3%. O dado é justificado por três fatores: o barateamento do crédito ao consumidor, a determinação do governo em estimular o consumo e o aumento do poder de compra do consumidor; este último causado pelo reajuste salarial com base na inflação mais alta do ano passado.

Nos shoppings centers, as perspectivas são menos otimistas. O diretor de relações institucionais da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Luis Augusto Ildefonso da Silva, diz que a expectativa dos empresários de comércio em relação às vendas de Natal estão piores agora em contraste com as perspectivas verificadas em julho de 2011. Ele acredita que o desempenho das vendas vá diminuir um pouco. Por outro lado, ele vê com otimismo os sinais de redução da inadimplência. “Vamos ver. A maior parte dos pedidos deve acontecer até 15 de setembro, mas, se as vendas forem boas, pedidos extras poderão ser feitos em outubro ou até depois.”

Dia das Crianças

Ondamar Ferreira, gerente-geral da matriz dos Armarinhos Fernando, rede de varejo popular de São Paulo, diz que o ritmo de vendas do final de ano pode ser medido pelo desempenho de 12 de outubro. “Ainda não compramos para o Natal, estamos trabalhando para o Dia das Crianças, porque focamos produtos sazonais, logo após (12 de outubro), devemos iniciar as operações (de compras) para dezembro”, diz.

Ferreira espera pelo menos repetir os resultados de 2011, com crescimento de 7% a 8%. Desde maio, o executivo vê melhoras nas vendas e ressalta que neste ano as compras estão maiores. Ele trabalha com estoque 12% superior ao do ano passado e reconhece que o número é alto. “Não temos medo porque depois de outubro as vendas não param. Se há sobra de produto, aproveitamos as mercadorias no Natal.”