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Última atualização 23/05/2017 - 17:20 FONTE

Crise de crédito tirou R$ 1 trilhão da economia

Falta de novos empréstimos aprofunda a recessão no país, segundo análise de economistas

São Paulo – Nos últimos 12 meses, cerca de R$ 1 trilhão deixou de circular na economia brasileira. Essa montanha de dinheiro equivale aos créditos bancários que foram sendo pagos pelos devedores e não retornaram ao mercado na forma de novos empréstimos, bem como à expansão natural do mercado, que não ocorreu.

Isso significa uma queda de 25% em relação ao que deveria estar circulando se a economia estivesse operando em níveis “normais”. O volume de crédito bancário que gira na economia hoje é equivalente ao disponível em 2012. Para os especialistas, isso mostra que o Brasil vive uma “crise de crédito” e não sairá da recessão se esse nó não for desatado.

O levantamento foi feito pela gestora de recursos Rio Bravo Investimentos, com base nas variações do estoque de crédito monitorado e divulgado pelo Banco Central. O curioso é saber o que motivou o levantamento. O economista da Rio Bravo, Evandro Buccini, ficou incomodado porque os indicadores de confiança na economia permaneciam otimistas, mas os índices sobre a situação atual não melhoravam. E pior: a recessão se aprofundava. “Fomos checar as componentes do nosso modelo, que traça cenários, e nos deparamos com essa queda no crédito. Está explicado: sem crédito, sem dinheiro, a economia não vai mesmo reagir”, diz.

Segundo Buccini, a partir desse dado, fica mais claro que, apesar de União, Estados e municípios estarem com sérios problemas nas contas públicas, que precisam ser sanados, o fiscal não é cerne da recessão. O que vem corroendo a economia é o que a literatura econômica chama de “credit crunch”, crise de crédito. No caso do Brasil, originada e realimentada pela explosão das dívidas.

A economista Zeina Latif, da XP investimentos, há meses alertava para essa questão e lembra que o enrosco tem duas pontas. De um lado estão devedores enforcados. Cerca de 22% do orçamento familiar está comprometido com o pagamento de juros de dívidas e praticamente metade das empresas tem geração de caixa inferior às suas despesas financeiras. Ou seja: os tomadores de crédito precisam digerir altas concentrações de dívidas. De outro lado estão os bancos, que já renegociaram débitos, ainda temem o calote e não querem – nem podem – correr o risco de emprestar mais em meio a uma recessão sem prazo para terminar. Trata-se exatamente do que parece ser: um círculo vicioso, que só vai se encerrar com o pagamento das dívidas.

Quando Zeina falou na primeira reunião do Conselhão, em Brasília, que a “lua de mel” com o mercado estava em risco, e o governo precisava ser mais ágil para reanimar a economia, tratava, em parte, dessa questão. “Apesar de o fiscal exigir atenção, também temos uma crise de crédito que pode até evoluir para risco de insolvência (termo financeiro que significa risco de os devedores darem calote)”, diz ela. O minipacote anunciado na semana passada, se for efetivado, pode dar alívio, mas está longe de resolver o problema, diz Zeina.

Tempo

Monica de Bolle, pesquisadora do Instituto Peterson de Economia Internacional, em Washington, dedicou um recente artigo no Estado sobre o tema e reforça: “O diagnóstico sobre as causas da recessão estava errado: o Brasil sofre com uma crise de crédito. Todos estão muito endividados: famílias, empresas, municípios, Estados e, inclusive, a União.”

Ela lembra que o tempo de digestão de altas concentrações de dívidas pode ser longo e penoso. O que acelera o alívio é uma eventual intervenção dos governos. Guardando-se as devidas proporções, Monica lembra que os Estados Unidos viveram um “credit crunch” com o estouro da bolha imobiliária, em 2008. A diferença é que lá os bancos foram arrastados, o que não ocorreu aqui, pelo menos até agora.

Para sair dela, o governo americano gastou US$ 850 bilhões para socorrer bancos e empresas, mais US$ 4 trilhões com o “quantitative easing”, programa de aquisição de títulos soberanos lastreados em hipotecas, e derrubou o juro a 0,25% – até a semana passada. A economia americana agora entra nos eixos – oito anos e US$ 5 trilhões depois. “Sem chance de o Brasil, neste momento, fazer algo minimamente parecido”, diz Mônica.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários

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  1. Paulo Rogerio Gaeta

    RIP

  2. ViP Berbigao

    Insano esse sistema financeiro. Vc pega emprestado 100 e tem q pagar 400 em 1 ano.
    Qual economia resiste a uma concentração de moeda em circulação dessa proporção?
    Banqueiros, economistas e políticos de quinta categoria produzem isso.

    1. Claro, pois, afinal, os bancos abordam as pessoas na calçada com armas e as obrigam a tomar crédito.

  3. antonio carlos

    Herança maldita da Dilma 171 Roussef e sua máfia PT em tudo e todos não tem “bala de prata”. Crédito aqui sobrou o estado brasileiro falido.

  4. O DIALOGO DA DEUSA COM O JUIZ

    Antes de mais nada é preciso esclarecer que qualquer semelhança dos fatos aqui narrados é mera coincidência, a desaprovar qualquer julgamento.

    . “Pega ladrão!” Gritava a multidão.

    . Quem é o próximo? esbravejava o cidadão que olhava a viatura na TV.

    Alguns anos antes daquelas cenas, um menino, assustado com o assalto a sua mãe, decidira que seria juiz e prenderia os ladrões.

    Anos depois, já togado, ele dedicou tempo a estudar a operação italiana que prendeu os mafiosos. Seu livro e filme preferido era o Poderoso Chefão. Foi aos EUA e ficou maravilhado quando viu que os condenados em primeira instância quando recorrem da decisão, o fazem de dentro da prisão.

    Sabia que não poderia levar a cabo a sua missão sozinho. Criou-se então uma força tarefa se unido a delegados e promotores. Dizem que na primeira tentativa, cruzou algumas linhas da legalidade e a operação foi suspensa por ordem superior.

    Em casa teve um ataque de nervo, quando fez a pergunta que iria mudar a sua vida: “Como as Cortes Superiores da Justiça Italiana não calaram um juiz de primeira instância?”

    Assim, descobriu que para furar o cerco da justiça era preciso mostrar para a multidão o pescoço do corrupto e provocar os instintos de vingança do ser humano. Os vazamentos para a mídia das operações eram calculados minuciosamente.

    Logo, a tática começou dar seus frutos e a multidão ia ao delírio a cada prisão realizada. O país virara um grande Coliseu à medida que as cabeças rolavam. Nas redes sociais continuava o “reality show” em tempo integral.

    Já famoso, o abnegado juiz passou na frente da estátua grega Têmis, símbolo da justiça e teve vontade de arrancar suas vendas.

    . “Idiotas!” Exclamou o único líder que restou naquele país, referindo ao que julgava ter sido o maior erro da história da humanidade.

    . “Abram os olhos da justiça, sem a qual não terá justiça!” Já destemido, o juiz passou a defender publicamente a tática e não havia quem ousasse questionar seu trabalho.

    Sua vida começou a mudar no dia em que interrogava uma testemunha.

    .”Doutor, por causa desses bandidos perdi o meu emprego de zelador. O Doutor sabe o que é perder o emprego?” No final da audiência, já desconcertado, o juiz pede desculpas ao depoente pelo empego perdido.

    Naquela noite, o Juiz teria um sonho revelador. Ele estava dentro de um gigante coliseu e à medida que mostra em uma bandeja as cabeças dos corruptos, a multidão aplaudia freneticamente.

    O espetáculo já durava quase um dia quando o desempregado interrogado levantou-se da multidão e gritou: “Doutor, estou com fome!”

    Com a mão no estomago, a multidão passou a gritar em coro: “Doutor, mate a nossa fome!”

    . “Eu estou apenas fazendo justiça!” Gritou duas vezes o Juiz. Na terceira tentativa recebeu uma chuva de pedra.

    Desolado e sozinho no meio do Coliseu, o Juiz recebeu a visita de Têmis, que desceu dos céus com os seus olhos tampados.

    . “Filho, jamais olhe apenas o que você quer ver. Ao tirar minha vendas e mostrar para a multidão a justiça, você se afastou do que faz a justiça forte: O seu silêncio.”

    . “Mas sem o grito da multidão, eu jamais teria ido tão longe.” Retrucou o bom juiz, sangrando pelas pedradas.

    . A Deusa passou a mão em seu rosto e disse: “Ao fazer uma aliança com os gritos da população, você foi capaz de impor suas decisões. Ao se tornar um homem forte, você perdeu a espada da justiça, cuja força nasce do silêncio que traz a sensatez e a sabedoria.”

    . “Mas não é justo que tenham me depredado assim!.” Gritou o equilibrado juiz.

    . “As leis que trago no colo, não foram feitas para serem interpretadas. É sobre as letras frias dessas leis, que devemos analisar as provas que as partes trazem aos autos.”

    . “Mas somos soberanos para interpretar as leis e os fatos.” Disse o juiz.

    . “Não, você é humano e como tal sujeito a erros. A leis e os fatos não podem estar sujeitos às tentações das interpretações humanas.” Lembrou a Deusa.

    .”Mas o direito não é uma ciência exata”! Retrucou o juiz, com soberba.

    . Continuo a Deusa: “O direito não é a única ciência não exata, e isso não empodera as profissões a atuarem de acordo com suas percepções pessoais.”

    Por um minuto ouvia-se apenas os gemidos das pedradas. Foi quando a Deusa sussurrou nos ouvidos do juiz: “É do princípio da razoabilidade que nasce o senso de justiça a reconfortar ganhadores e perdedores, das decisões da pena da justiça.”

    . “Mas eu fui razoável, minhas decisões foram mantidas até pelas Cortes Superiores!.” Insistiu o Juiz.

    Nessa hora a Deusa pegou o Juiz no colo, beijou-o na testa e disse:

    . “Filho, você se esqueceu que para fazer Justiça, não se faz inocentes de reféns. As nossas decisões não podem prejudicar as pessoas que não são parte do conflito.”

    Ainda gritando de dor o Juiz exclamou: “Deusa, não tenho culpa se encontramos os cadáveres, vítima dos corruptos.”

    . “Sim, mas não se coloca fogo em toda uma vila para matar o ladrão. A Justiça tem os seus meios e não perdoa os justiceiros!”

    A esposa bate a porta vestida de mamãe-Noel. Ela carrega uma bandeja com um farto café da manhã, um celular e um jornal. O Juiz acorda assustado e ela tira uma foto.

    No canto direito da “selfie” a manchete do Jornal: Desemprego sob para 25%.
    No segundo título: Multidão faminta invade supermercado.

    Gil Lúcio Almeida, PhD