Condições para aprovar crédito a empresas melhoram, diz BC

O indicador de condições para aprovação de crédito para grandes empresas ficou em 0,25 ponto para o terceiro trimestre, ante 0,08 no segundo trimestre

Rio – O indicador de condições para aprovação de crédito para grandes empresas para este terceiro trimestre de 2014 está no maior nível desde o segundo trimestre de 2011, mostra a pesquisa de Indicadores de Condições de Crédito, divulgada nesta quinta-feira, 7, pelo Banco Central (BC).

O indicador ficou em 0,25 ponto para o terceiro trimestre, ante 0,08 no segundo trimestre.

A pesquisa do BC é qualitativa e foi feita com executivos de 46 instituições financeiras, em junho. O indicador varia de -2,0 (menos concessões de crédito) a 2,0 (mais concessões).

Já o indicador de condições de aprovação de crédito habitacional para o terceiro trimestre ficou em -0,33, situação “um pouco mais restritiva”, afirmou o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, durante apresentação do Boletim Regional, no Rio de Janeiro.

Hamilton destacou que o crédito ao consumo cresceu nos anos recentes, mas agora, “na margem, está estabilizado”.

O Indicador de Condições de Crédito a consumo para o terceiro trimestre registrou -0,13 ponto nas aprovações, exatamente a mesma leitura referente ao segundo trimestre.

A taxa preferencial, calculada pelo BC para medir o custo de crédito, ficou em 15,1% em maio, ante a mínima histórica de fevereiro de 2013, de 10,8%.

Segundo Hamilton, a alta de 4,3 pontos porcentuais “é natural”. “Nesse período, o BC fez ajuste importante das condições monetárias”, afirmou.

Para o diretor do BC, “a taxa preferencial é a melhor proxy que temos para o custo do crédito na economia brasileira”.

São usados no cálculo da taxa, entre outros critérios, indicadores de taxas de juros para pessoas jurídicas com operações de crédito em três ou mais bancos, sendo pelo menos uma maior ou igual a R$ 5 milhões.

Economia internacional

O BC trabalha com o cenário de continuidade da normalização das condições monetárias por parte do Federal Reserve, o banco central norte-americano, segundo Hamilton.

“A normalização começou em dezembro e vai seguir curso ao longo do tempo. O BC está atento a isso e preparado para lidar com impactos sobre a economia e os mercados”, afirmou Hamilton em entrevista coletiva após a apresentação do Boletim Regional do BC, no Rio de Janeiro.

Ainda no plano internacional, Hamilton destacou que grande parte do impacto da crise da Argentina sobre o Brasil já pode ter ocorrido, pois as exportações para o país vizinho já recuaram “mais de 30% em relação ao ano passado”.

Segundo o diretor do BC, a Argentina é importante parceiro comercial do Brasil, sobretudo como mercado comprador de produtos manufaturados.

Assim, à medida que haja desaceleração forte na economia argentina, haverá repercussão no Brasil.