Competitividade do GNV cresce com petróleo, diz Abegás

A queda do preço do petróleo e a atual política de combustíveis da Petrobras permitiram que o gás natural veicular ficasse mais competitivo, diz associação

Rio de Janeiro – A queda da cotação do barril do petróleo e a atual política de combustíveis da Petrobras, que busca fazer caixa com preços da gasolina e diesel mais altos, permitiram que o gás natural veicular (GNV) ficasse mais competitivo ante outros energéticos, contribuindo com um aumento do consumo no país.

Com a alta dos preços da gasolina no Brasil desde o último ano –na contramão dos valores do petróleo, que caíram cerca de 50 por cento desde os picos de 2015–, a cotação do concorrente etanol no Brasil também subiu na bomba, incentivando muitos motoristas a converterem seus veículos para o GNV, cujos preços não são controlados pela estatal.

O preço do quilômetro rodado do GNV ficou 50 por cento mais barato do que o etanol em 16 Estados do país, incluindo todo o Sudeste, segundo estudo realizado pela Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), na terceira semana de janeiro.

Já em relação à gasolina, a vantagem do GNV ficou igual ou superior a 50 por cento nos Estados de Alagoas, Espírito Santo, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo e Sergipe.

“O gás natural no conceito geral é o único energético hoje que tem uma fórmula que o precifica, essa fórmula é composta por uma cesta de óleo mais uma variação cambial”, afirmou à Reuters o presidente da Abegás, Augusto Salomon, nesta quinta-feira. “Apesar do dólar ter subido, a variação do barril do petróleo, com a queda brusca que teve para cerca de 29 dólares por barril, refletiu automaticamente no preço do gás”, destacou ele.

Salomon destacou que esse aumento da competitividade refletido no GNV aconteceu apesar da retirada progressiva dos subsídios ao gás administrada pela Petrobras, que em dificuldades financeiras visa maximizar seus ganhos. Segundo o presidente da Abegás, a petroleira aumentou valores de combustíveis com preços controlados como diesel e gasolina, em busca de fazer caixa, o que ajudou a aumentar a competitividade do GNV.

“O cenário está totalmente mudado, o GNL (gás natural liquefeito) caiu de preço no mundo inteiro, a gente está competitivo também na importação, alguns mercados vão começar a ganhar força novamente e o GNV é o mais fácil de todos, porque a conversão é rápida e a utilização é imediata”, frisou Salomon.

No Rio de Janeiro, um dos Estados onde o GNV ficou mais competitivo, o consumidor obteve até 63 por cento de economia em relação ao etanol, no período estudado, garantindo uma economia mensal de 675 reais frente ao etanol e de 504 reais frente à gasolina, para quem roda 2.500 quilômetros/mês. A análise da Abegás utilizou informações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e aplicou os dados a um carro cujo manual traz uma estimativa de consumo médio com os três combustíveis.

EXPANSÃO DO MERCADO

Em dezembro, segundo a Abegás, o consumo do GNV em postos de combustíveis subiu 3,3 por cento ante o mês anterior. A associação ainda não fechou os dados de janeiro.

Além disso, a Comgás, maior distribuidora de gás do Brasil, contabilizou um aumento de 8 por cento nas conversões de veículos para o GNV em sua área de atuação em 2015 ante 2014. No quarto trimestre, o crescimento foi de mais de 80 por cento, na área de atuação da empresa. O presidente da Abegás destacou que a associação tem trabalhado no incentivo à conversão de frotas públicas e privadas, para estimular o crescimento do mercado, e garante que há oferta suficiente para suprir o mercado.

Solomon explicou que há oferta local de gás suficiente para atender ao crescimento do mercado e, caso seja necessário, o país pode aumentar as suas importações.

Em 2015, segundo a Petrobras, a oferta de gás nacional cresceu 3,9 por cento, para 44,93 milhões de m³/dia. Além disso, a oferta contou em 2015 com 18,04 milhões de m³/dia importados e regaseificados em terminais da Petrobras, em Pecém (CE), na Baía de Guanabara (RJ) e na Bahia, e com 32,06 milhões de m³/dia trazidos da Bolívia por gasoduto.

A Abegás também tem conversado com interlocutores em Brasília com o objetivo de conseguir uma isenção fiscal de PIS/Cofins no kit de conversão de veículos e no cilindro de gás.

A mudança de cenário, destacou Salomon, acontece em um momento em que o consumo de combustíveis no país está em queda, em que a economia brasileira passa pela sua pior recessão econômica em décadas. Para o presidente da Abegás, o GNV é uma alternativa para economia dos usuários.