Como a Grexit pode virar Grimbo ou Graccident

Com seu dinheiro se esvaindo, Grécia pode sair da zona do euro por acidente ou ficar presa por meses em um limbo, dizem investidores

São Paulo – Não é de hoje que se fala na possibilidade de que a Grécia saia da zona do euro

O termo “Grexit” foi popularizado em fevereiro de 2012 por um artigo de dois economistas do Citi, Ebrahim Rahbari e Willem Buiter. Na época, eles colocavam a probabilidade em 50% (turbinada para 90% no final de 2014).

Agora, o impasse da troika (BCE, FMI e Comissão Europeia) com o governo grego e a falta de dinheiro em caixa tem levado a especulações sobre dois cenários alternativos: “Graccident” e “Grimbo”. 

Mohamed El-Arian, ex-presidente executivo da Pimco e conselheiro econômico da Allianz, publicou recentemente na Bloomberg um artigo com os 11 passos em direção à tragédia grega.

“Dogma, moralidade e pontos cegos estão tendo um papel muito maior, obscurecendo realidades econômicas e financeiras”, diz ele.

Na segunda-feira, o governo grego publicou um decreto que obriga os órgãos públicos a transferir suas reservas financeiras ao Banco da Grécia – na prática, um empréstimo ao Estado.

O FMI descarta adiar pagamentos e o BCE sinaliza que não quer mais ficar suprindo necessidades de curto prazo. Enquanto isso, o governo grego admite que precisa de 400 milhões de euros até o fim do mês de abril. Ontem, representantes do país e da zona do euro disseram que o dinheiro vai durar até junho

“As conversas são muito complicadas. O tempo está acabando”, disse o vice-presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, em entrevista a Reuters.

Isso aumenta cada vez mais o risco de uma corrida bancária e de uma venda generalizada de ativos gregos. A situação pode ficar insustentável a ponto de causar uma saída do euro “acidental” e não organizada. El-Arian coloca a chance de “Graccident” em 45% (com 10% de chance de um avanço real e 45% de um compromisso temporário de última hora). 

Cenários

Ebrahim Rahbari, um dos criadores do termo “Grexit”, fala em nota recente de dois cenários possíveis de “Grimbo” (“Grécia” mais “limbo”). 

No primeiro, o financiamento é cortado para os bancos gregos, o país decreta o calote e são instituídos controles de capitais. A pressão aumenta e eventualmente, um novo pacote é concordado entre o governo e a troika.

No segundo cenário, há calote e controle, mas a pressão não leva a nada, o que dispara novas eleições na Grécia e um novo acordo subsequente – ou não.

De uma forma ou de outra, a Grécia ficaria no euro – e no limbo – por um bom tempo antes da “Grexit” se materializar. Enquanto isso, os gregos continuam lidando com uma crise que já os transportou de volta para os anos 80.

Sair ou não sair, eis a questão

Um dos problemas é que não há nem base legal para organizar a saída de um país do euro. Muitos dizem que o bloco está muito mais preparado hoje do que antes para uma “Grexit”, o que é confirmado pela relativa calma dos mercados diante das negociações.

Mas de acordo com o POLITICO, vários investidores de Wall Street e poderosos em Washington não querem pagar para ver. O risco de que uma “Grexit” pressione outros países fracos do euro ou cause um efeito dominó de incerteza é simplesmente grande demais:

“Seria como puxar um fio de um casaco. Pode sair sem maiores consequências. Ou pode se desfazer inteiramente e disparar algo muito grande”, diz Lawrence Summers, ex-secretário do Tesouro americano.