Campos diz que BNDES precisa voltar ao leito natural

Candidato do PSB também disse que é necessário estimular no país outras formas de financiamento além das oferecidas pelos bancos públicos

São Paulo – O candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, disse nesta quinta-feira que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social precisa retornar ao seu “leito natural” após ter expandido o crédito diante das recentes crises econômicas.

Em apresentação para empresários na Abimaq, associação que reúne os fabricantes de máquinas e equipamentos, o socialista também disse que é necessário estimular no país outras formas de financiamento além das oferecidas pelos bancos públicos, cuja readequação dentro do mercado de crédito do país ele defendeu.

“O BNDES, a partir da crise de 2009, passou a cumprir um papel completamente atípico à sua história em função da escassez de crédito externo e da escassez também dentro do próprio sistema privado brasileiro”, disse o candidato a jornalistas após a apresentação.

“Nós temos que levar o BNDES ao seu leito natural, à sua expressão no mercado. Mas sempre o BNDES esteve financiando a indústria de equipamentos no Brasil”, afirmou, acrescentando que o banco de fomento deve se concentrar em algumas áreas, entre elas a de máquinas e equipamentos.

Campos defendeu também que uma melhor governança macroeconômica vai estimular fontes de financiamento no país e disse que o setor privado precisa ser incentivado a aumentar sua participação neste setor.

“Nós precisamos alimentar no Brasil outras formas de financiamento”, disse. “O mercado de capitais no Brasil ainda tem uma posição muito tímida no financiamento.” O socialista se comprometeu ainda com o regime de “câmbio flutuante a partir de uma meta de inflação definida” e disse que o descompasso da meta de inflação e do câmbio flutuante com as políticas fiscal e monetária levam o câmbio “para um lugar que o câmbio não deveria ter”.

“Uma boa governança macroeconômica colocará o câmbio no lugar certo”, garantiu.

Campos disse ainda que o Brasil precisa de um presidente que “defenda a indústria” e afirmou que os partidos de seus dois principais adversários, a presidente Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), já governaram o país e que o Brasil precisa de um caminho novo, representado por ele, cuja legenda fazia parte da base do governo até o ano passado.

“As duas candidaturas com as quais eu disputo estão baseadas na velha política”, disparou. “O Brasil não pode esperar.”