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Rio de Janeiro | 20/11/2011 10:36

TV a cabo legal - e mais cara - é o primeiro serviço que chega à Rocinha

Operadoras disputam clientes das favelas ocupadas pela polícia, onde imperava o 'gatonet'

Leo Pinheiro, de
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Ricardo Moraes/Reuters

Morador assiste tv após ocupação da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro

Morador assiste tv após ocupação da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro

Governo do estado e prefeitura do Rio ainda estão planejando como levar os serviços públicos às favelas da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, ocupadas no último domingo. Outro serviço – privado, mas também desejado – chegou antes. E, na quinta-feira, foi a vez de um batalhão de vendedores de assinaturas de TV por assinatura invadirem os becos da favela.

“A gente está acostumado a ver tevê a cabo, futebol e filme estrangeiro à vontade. Agora não quer voltar a assistir só novela. Ontem eu fiz uma assinatura, mas vou botar um ponto só. Antes eu tinha dois, o principal e o escravo”, conta um morador, explicando que o apelido do segundo ponto se deve à necessidade de assistir sempre ao mesmo canal, nos dois aparelhos de TV.

Pelo novo serviço, ele passará a pagar 49,90 reais pelo plano básico de 89 canais da operadora. O valor é o dobro dos 25 reais que pagava pelo “gatonet”. Ele, no entanto, não reclama do aumento do preço. Pior que isso é a demora na instalação. “Neste momento eu estou, digamos, sem cobertura de tevê a cabo. Eles disseram que vão iriam instalar em três dias, amanhã vence o prazo. Vamos ver se vão cumprir”, cobra o morador.

 Além dele, outros 300 novos clientes da Sky aguardam instalação. Aline Santos consultora de vendas da empresa, conta que a Rocinha entrou nas prioridades dos vendedores de assinaturas. “Depois que o Nem foi preso as coordenadoras mandaram a gente vir para cá. O pessoal sabia que com a polícia aqui as ligações clandestinas iam ser cortadas e a gente ia precisar de muitos vendedores para atender a toda essa gente. A gente consegue vender, mas os técnicos não conseguem dar conta de colocar antena na casa de todo mundo”, justificou a vendedora.

 Por toda a extensão da favela de cerca de 80 mil habitantes – dados oficiais do Censo, mas estima-se que sejam quase 200 mil os moradores – encontram-se encontra-se funcionários da operadora tentando dar conta da demanda repentina. Na Rua 1, que corta a comunidade de São Conrado à Gávea, há um “exército vermelho” de instaladores e consultores da operadora. “Tem mais vendedor aqui do que policiais. É mais fácil de achar os vermelhinhos do que os pretinhos” diz Aline, comparando a presença de seus colegas de empresa com os soldados do Bope.

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