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Copa 2014 | 05/09/2010 10:22

Reforma do Maracanã: o recesso do gigante

Torcidas se despedem do estádio para o início da reforma de 27 meses que vai transformar o complexo em arena com o padrão de exigências da Fifa

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A reforma em curso: cadeiras azuis são retiradas para permitir a elevação de cinco metros do anel inferior

São Paulo - Quando o último torcedor cruzar o portão ao fim do jogo entre Flamengo e Santos, neste domingo, o Maracanã entrará no mais longo e transformador recesso de seus 60 anos. Por 27 meses - mais que os 22 necessários para a construção - operários, engenheiros e máquinas vão ocupar o templo das torcidas.

A promessa é de que, no final de 2012, o gigante de concreto deixe de ser, como define a secretária de Esportes do estado do Rio, Márcia Lins, "um campo cercado de arquibancadas". Era este o conceito quando o Estádio Mário Filho foi concebido, para receber a Copa de 1950. A lógica, agora, é a de proporcionar conforto ao público, o que exige uma transformação radical.

O desafio é modernizar o Maracanã fazendo com que ele continue sendo o Maracanã. A geometria original, que faz com que o gigantesco anel seja um dos pontos de visitação do Rio por terra e pelo ar, em passeios de helicóptero, será mantida. A única diferença nesse aspecto será a ampliação da cobertura, que, por exigência da FIFA, deve atingir 100% das áreas de torcida. Uma estrutura metálica circular vai sustentar a malha flexível que protegerá os torcedores da chuva e do calor.

Mas, como defende Márcia, a 'joia' do futebol brasileiro não pode perder sua identidade. "Nosso desafio é criar um novo Maracanã conservando uma alma de 64 anos", define, citando a idade que o estádio terá no mundial de 2014. As transformações ao longo do tempo fizeram com que parte dessa alma se perdesse.

Se o projeto de 705 milhões de reais cumprir o prometido, a modernidade, que transformará a ida ao estádio em algo como a visita a um museu, ou um passeio no shopping, vai reencontrar a tradição daquele que já foi "o maior do mundo". Uma das tradições que a reforma pretende resgatar é o uso das rampas monumentais, atualmente desativadas. Desde que foram construídos os camarotes na parte de cima do anel, as rampas deixaram de ser usadas.

Arquibancadas - Na última quinta-feira, restavam poucas unidades das cadeiras azuis que, na reforma de 2000, foram instaladas no espaço que já foi a "geral". Quando a reforma estiver concluída, os dois níveis da torcida vão se encontrar, separados apenas por uma linha de camarotes. A parte de baixo, onde ficavam as cadeiras azuis, será elevada em cerca de cinco metros. A parte de cima vai avançar 12 metros em direção ao campo.

"O torcedor vai ver o jogo de posição privilegiada e, como nos estádios americanos e europeus, vai ficar muito mais perto do campo, explica o secretário estadual de Obras, Hudson Braga. O padrão de visibilidade exigido pela FIFA determina que todos os espectadores possam enxergar sobre a cabeça do torcedor sentado duas fileiras à frente, em uma linha reta.

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