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Aos olhos da diplomacia internacional, o Brasil tem feito gestos importantes para apagar as máculas deixadas pelo governo antecessor. O Irã, por exemplo, que antes era declaradamente um "amigo próximo" do ex-presidente Lula, já se mostrou descontente com a política menos simpática de Dilma Rousseff. "Ela destruiu anos de bom relacionamento", disse recentemente o porta-voz do presidente Mahmoud Ahmadinejad. Mas ainda há ações diplomáticas difíceis de explicar. Foi o que ocorreu a poucos dias do início de 2012, ano que demarca três décadas da Guerra das Malvinas, quando o Brasil surpreendeu ao anunciar, ao lado dos demais países do Mercosul, que iria fechar seus portos para barcos com bandeira das ilhas Malvinas, endossando um pedido do governo da presidente Cristina Kirchner. Criticada pela Grã-Bretanha como uma tentativa de isolar os habitantes das ilhas e prejudicar suas relações comerciais com o continente, a medida é a mais recente cartada argentina na secular disputa sobre o território do arquipélago, sob domínio britânico desde 1833.
Em entrevista ao site de VEJA, Benoni Belli, chefe da Divisão de América Meridional I do Ministério das Relações Exteriores, responsável pelas negociações com Argentina e Uruguai, explica por que o Brasil decidiu se envolver de maneira explícita nessa disputa, e diz que o que está proibido é um navio aportar no Brasil exibindo a bandeira das Falklands (nome inglês das ilhas). "Não existe bloqueio às embarcações. O que existe é a não aceitação de uma bandeira", afirma. De acordo com o diplomata do Itamaraty, o barco que navegar sem o símbolo no mastro não tem impedimento algum para entrar nos portos do Mercosul. Além disso, ele garante que a decisão não compromete as relações brasileiras com a Grã-Bretanha e argumenta que a posição do Brasil, que é "tradicional e histórica", está respaldada em resoluções da ONU e na expectativa de estabilidade da região. "É uma disputa territorial na América do Sul que nós temos todo o interesse que seja resolvida".
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