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Entrevista | 29/01/2012 17:02

Malvinas: apoio brasileiro à Argentina é antigo, diz governo

Chefe da divisão do Itamaraty responsável por negociações com país vizinho explica por que o Brasil aderiu ao bloqueio de navios com bandeira das ilhas

Vitor Pamplona, de
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Divulgação/Desire Petroleum

Plataforma da Desire Petroleum nas Malvinas

Plataforma da Desire Petroleum: empresa sofreu apenas fracassos na exploração petroleira das Malvinas

Aos olhos da diplomacia internacional, o Brasil tem feito gestos importantes para apagar as máculas deixadas pelo governo antecessor. O Irã, por exemplo, que antes era declaradamente um "amigo próximo" do ex-presidente Lula, já se mostrou descontente com a política menos simpática de Dilma Rousseff. "Ela destruiu anos de bom relacionamento", disse recentemente o porta-voz do presidente Mahmoud Ahmadinejad. Mas ainda há ações diplomáticas difíceis de explicar. Foi o que ocorreu a poucos dias do início de 2012, ano que demarca três décadas da Guerra das Malvinas, quando o Brasil surpreendeu ao anunciar, ao lado dos demais países do Mercosul, que iria fechar seus portos para barcos com bandeira das ilhas Malvinas, endossando um pedido do governo da presidente Cristina Kirchner. Criticada pela Grã-Bretanha como uma tentativa de isolar os habitantes das ilhas e prejudicar suas relações comerciais com o continente, a medida é a mais recente cartada argentina na secular disputa sobre o território do arquipélago, sob domínio britânico desde 1833.

Em entrevista ao site de VEJA, Benoni Belli, chefe da Divisão de América Meridional I do Ministério das Relações Exteriores, responsável pelas negociações com Argentina e Uruguai, explica por que o Brasil decidiu se envolver de maneira explícita nessa disputa, e diz que o que está proibido é um navio aportar no Brasil exibindo a bandeira das Falklands (nome inglês das ilhas). "Não existe bloqueio às embarcações. O que existe é a não aceitação de uma bandeira", afirma. De acordo com o diplomata do Itamaraty, o barco que navegar sem o símbolo no mastro não tem impedimento algum para entrar nos portos do Mercosul. Além disso, ele garante que a decisão não compromete as relações brasileiras com a Grã-Bretanha e argumenta que a posição do Brasil, que é "tradicional e histórica", está respaldada em resoluções da ONU e na expectativa de estabilidade da região. "É uma disputa territorial na América do Sul que nós temos todo o interesse que seja resolvida".            

 
Em que está baseada a posição do Brasil em relação à disputa pelas ilhas Malvinas? A posição do Brasil, numa linguagem padrão no campo internacional, é de respaldo aos legítimos direitos da Argentina na disputa de soberania em relação às Ilhas Malvinas. Essa posição de respaldo é tradicional e histórica, não é recente. Ela vem desde que os ingleses tomaram as ilhas, em 1833. Naquele momento, no então Império do Brasil, já independente mas ainda em situação de consolidação da nação, o nosso representante em Londres foi instruído a apoiar o protesto do representante argentino diante da medida de força que foi a tomada das Malvinas na época. Isso permaneceu desde o século XIX até os dias de hoje. Não mudou, é uma posição assentada. O que aconteceu nesse período todo foi o processo de descolonização. O tema das Malvinas foi incluído nas Nações Unidas como um tema de descolonização na década de 1960. Tem uma resolução da ONU, de 1965, que é um parâmetro internacional para a discussão do tema. E, todas as seguintes (foram várias) reconheceram que o tema é de descolonização e exortaram as partes a negociarem uma solução pacífica e definitiva.
 

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