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Professor da USP diz que ambiente é favorável, mas crescimento ficará aquem do potencial
São Paulo - Em 2010 o ritmo de crescimento da economia brasileira tem surpreendido o mercado por sua intensidade. Entretanto, o mesmo não deve acontecer em 2011. Para o professor Carlos Eduardo Soares Gonçalves, da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (USP), a falta de vontade política dos atuais candidatos à presidência para realizar reformas estruturais vai restringir o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) a uma taxa entre 4% e 4,5% ao ano.
"O crescimento seria mais forte se houvesse mudanças sérias, por exemplo, na previdência, e no ambiente de negócios, diminuindo a burocracia para as empresas. Seria preciso ainda haver uma reforma nos gastos do governo. Mas não vejo possibilidade de isso acontecer no curto prazo, nenhum candidato manifesta vontade de vender a ideia de diminuir os gastos correntes", diz Gonçalves.
Apesar da crítica, o professor afirma que as perspectivas são boas. Crescer durante 20 anos a uma taxa que ele descreve como "velocidade de cruzeiro" (entre 4% e 4,5%) já daria conta de mudanças significativas no país. Em um cenário como este, a renda per capita mais que dobraria, segundo as contas do especialista.
Para que houvesse mudanças mais profundas, de acordo com Gonçalves, seria preciso um golpe mais duro do que o levado pelo país durante a crise. Ele destaca que o Brasil se saiu bem durante a turbulência, com destaque para o mercado de crédito e o câmbio flutuante, que facilitou a absorção de impactos externos.
"Sem maiores problemas, fica difícil prever que próximo governo faça mudanças estruturais mais profundas. Vamos conviver com um crescimento de 4% sem fazer muito esforço para isto", diz. "Mas poderia ser mais."
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