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Krugman está otimista com o Brasil, mas desanimado com os EUA
São Paulo - O prestigiado economista Paul Krugman teve uma passagem relâmpago por São Paulo nesta quinta-feira (16). Chegou pela manhã, participou do IBM FORUM 2010, teve um almoço com empresários e, à tarde, recebeu um pequeno grupo de jornalistas no hotel em que esteve hospedado para uma bate-papo sobre o Brasil e o mundo.
Embora visivelmente cansado, ele respondeu todas as questões formuladas durante 40 minutos de conversa antes de tirar um cochilo no quarto e partir para o aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, com destino aos Estados Unidos. Em alguns momentos, demonstrou sinceridade ao admitir que não tinha informações suficientes sobre determinados temas, como eventuais avanços na educação no Brasil e detalhes dos gastos públicos.
De uma forma geral, o olhar dele sobre a economia brasileira é positivo. "Os tradicionais demônios estão sob controle: inflação, situação fiscal e deficit em conta corrente. Além disso, o mercado doméstico é robusto", disse. Já em relação aos países desenvolvidos, o desânimo é nítido. "É preciso um novo pacote fiscal."
Acompanhe os principais pontos analisados por Paul Krugman, professor da Universidade de Princeton (EUA), colunista do jornal The New York Times e Prêmio Nobel de Economia em 2008:
Real valorizado
É compreensível que isto esteja acontecendo. Com as economias ricas em dificuldades e as taxas de juros baixas, o dinheiro está procurando retornos maiores e o Brasil tem boas perspectivas econômicas. Além disso, o Brasil não é como a China, pois possui uma moeda conversível e não é tão difícil de investir, o que facilita a entrada de dinheiro.
Até o momento, a valorização cambial não é forte o bastante para causar um desequilíbrio nas contas correntes e, consequentemente, uma contração da demanda. Seria a chamada armadilha de liquidez. O real valorizado não é necessariamente ruim.
Deficit em conta corrente
O Brasil parece ter demanda doméstica suficiente para sustentar um deficit de 3% ou 4% do PIB. Se chegar a 5%, 6% ou 7%, talvez surjam questionamentos. O ponto básico é que os países não podem sustentar deficits elevados por muito tempo. Os Estados Unidos fizeram isso até o estouro da bolha imobiliária, mas o caso brasileiro ainda é tranqüilo.
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Igor Fonseca
Aos economistas mais conservadores, alinhados e céticos com relação à tese do descolamento, está aí...
17.09.2010 | Ler comentário completo |