Azevedo deve ficar mais quatro anos na direção da OMC

A entidade anunciou que foram encerrados os prazos para a apresentação de candidaturas para um novo mandato e o brasileiro continua

Genebra – O brasileiro Roberto Azevedo deverá ocupar o cargo de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) por mais quatro anos.

A entidade anunciou que foram encerrados os prazos para a apresentação de candidaturas para um novo mandato no comando do comércio internacional.

Azevedo foi o único que se apresentou ao cargo, num reconhecimento de países ricos e emergentes do trabalho realizado pelo embaixador brasileiro.

Ele, porém, terá de lidar com dois grandes desafios: a política comercial de Donald Trump e o Brexit, que exigirá a negociação de novos acordos comerciais. Se for eleito uma vez mais, ele ficará no cargo até 2021.

Numa carta enviada no dia 4 de janeiro a todos os membros da entidade, a direção informou que a única candidatura recebida foi a do brasileiro e que uma decisão precisa ser tomada até maio de 2017.

Diplomatas em Genebra admitiram à reportagem que, diante de sua gestão considerada como positiva, diversos governos optaram por não apresentar concorrentes. Já Brasília deixou claro que iria apoiar Azevedo em uma nova campanha.

Eleito em 2013 para o cargo e sendo o primeiro brasileiro a ocupar um posto de alto escalão em uma das entidades do sistema de Bretton Woods, Azevedo optou por uma estratégia pragmática para evitar que a OMC fosse ainda mais marginalizada.

Ao invés de insistir em concluir a Rodada Doha, lançada em 2001, no mesmo formato fracassado dos últimos anos, o diplomata aceitou o desafio de fechar acordos parciais.

A tática acabou dando resultados. Em sua carta indicando sua intenção de ser mantido no cargo, Azevedo afirmou que acredita que a OMC está hoje em uma melhor situação que estava e 2013 e que isso foi atingido graças à “transparência e pragmatismo”.

Mas críticos alertam que, até hoje, a OMC não lidou com um dos principais problemas no sistema internacional: o desequilíbrio criado pelos subsídios dados pelos países ricos ao setor agrícola.

Se não bastasse, nos últimos anos, a China também passou a ser um dos principais alvos de críticas quanto às distorções no comércio de alimentos.

Mas se os seus primeiros quatro anos exigiram uma adequação da entidade, serão os próximos anos que prometem colocar à prova o sistema.

Trump já deixou claro que pretende sair de alguns acordos comerciais, enquanto promete denunciar a China nos tribunais e elevar tarifas.

Pequim já respondeu a abriu disputas comerciais contra americanos e europeus diante da recusa desses governos de reconhecer a China como uma economia de mercado.

Numa coletiva de imprensa em novembro, ele evitou qualquer crítica a Trump.”Trabalho com fatos. Até la, vou dar créditos a governos que querem melhor para seus cidadãos”, disse.

O brasileiro também afirmou que está “pronto para falar” com Trump e que já fez chegar à sua equipe uma mensagem de que quer conversar.

Mas insiste que “não recebeu nenhuma indicação” de que o novo governo queira sair da OMC. “Queremos aprofundar nossas relações com os EUA”, disse.