Apagão de maconha pode fazer Nevada declarar “emergência”

Nevada é o sétimo estado dos EUA a legalizar a venda e o consumo de maconha para uso recreativo - e o sucesso foi tão grande que ameaça ao fornecimento

São Paulo – O estado de Nevada, nos Estados Unidos, legalizou a maconha em novembro passado e começou as vendas legais no último dia 1º de julho.

Segundo a revista Fortune, já foram mais de US$ 3 milhões em vendas, mas o sucesso foi tanto que pode causar um apagão no fornecimento, segundo o site local Reno Gazette-Journal.

Na sexta-feira (07), o governador republicano Brian Sandoval endossou o pedido do Departamento de Taxação do estado para implementar o chamado “estado de emergência”.

O problema foi causado por uma ordem judicial obtida recentemente pelos atacadistas de álcool, que temiam a concorrência.

Eles conseguiram o direito exclusivo de transportar a maconha entre os cultivadores e os quase 50 estabelecimentos já licenciados de varejo.

Só que nenhuma licença foi dada a estes distribuidores por causa de problemas de zoneamento e formulários, e a venda teve que começar com base apenas em estoques – já praticamente esgotados.

O estado de emergência permitira que as licenças fossem agilizadas e estendidas também para grupos de fora da indústria do álcool.

O governo está preocupado não apenas com a conveniência dos usuários, mas também com sua própria saúde financeira.

O cultivo é taxado em 15%, com receita direcionada para escolas, e a venda em 10%, com recursos para um fundo de segurança que pode ser usado para vários fins.

A projeção do governo é que o novo negócio pode produzir mais de US$ 60 milhões em receitas fiscais durante os próximos dois anos (além de incentivar o turismo em cidades como Las Vegas).

A dificuldade em garantir a oferta tem sido citada como o principal obstáculo para a legalização da maconha no Canadá, que deve se tornar nos próximos meses a primeira grande economia do mundo a liberar a droga.

Mercado

Nevada é o sétimo estado dos Estados Unidos, além do distrito de Columbia, a legalizar a venda e o consumo de maconha para uso recreativo.

O mercado legal de maconha (medicinal e recreativa) nos Estados Unidos cresceu 30% em 2016 e ficou entre US$ 4 bilhões e US$ 4,5 bilhões, mais do que bebidas como tequila, serviços pagos de streaming de música e medicamentos como Viagra e Cialis.

O potencial da legalização será sentido para valer no ano que vem, quando começam as vendas na Califórnia – que se fosse um país, já teria superado o Brasil e chegado na 6ª posição mundial.

Legalizar o uso recreativo por aqui poderia render entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões por ano para os cofres públicos, de acordo com um estudo divulgado pela Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados.
Veja também