Alta de inflação pode elevar desigualdade, avalia FGV

"Essas famílias estão menos protegidas contra aumentos de preços. Você dá com uma mão, a inflação tira com a outra", explica Braz

Rio – O quadro da inflação percebida pelas famílias da baixa renda pouco deve mudar até o fim do ano, avalia o economista André Braz, pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV).

A alta de 11,22% em 12 meses no Índice de Preços ao Consumidor – Classe 1 (IPC-C1) até novembro deve remanescer em dezembro e pode promover o aumento da desigualdade entre classes no Brasil.

“Essas famílias estão menos protegidas contra aumentos de preços. Você dá com uma mão, a inflação tira com a outra”, explica Braz.

“A inflação tem sido mais elevada justamente onde o orçamento dos mais pobres é mais exigido. Alimentação, habitação, com as contas de luz, e os transportes, que incluem ônibus, foram os grupos que mais subiram ao longo deste ano, com altas de dois dígitos e acima da média nacional”, acrescenta Braz.

Apenas em novembro, a inflação da baixa renda subiu 1,06%, mais uma vez acima da média das famílias brasileiras, divulgou nesta segunda-feira, 7, a FGV. Os alimentos foram os protagonistas, diante do avanço de 2,32%.

“Isso veio em função dos in natura. Houve atraso no período do choque, o impacto climático geralmente vem mais cedo”, explica o pesquisador.

“Mas também há uma pressão de custo. Em 12 meses, hortaliças e legumes já subiram mais de 36%. Os gastos com energia, água e frete aumentaram.”

Além dos alimentos in natura, as carnes também ficaram 1,25% mais caras, um impacto e tanto, já que o item responde por 3,2% das despesas da baixa renda – quase o equivalente à energia elétrica.

“Tenho certeza de que essa pressão de alimentos vai aliviar um pouco. Mas o índice como um todo não deve desacelerar muito, ficando em torno de 0,9% (em dezembro)”, afirma Braz.