Alemanha se protege de investimentos chineses em suas empresas

Embora não cite nenhum país em particular, o governo tem a China em sua mira ao aprovar um decreto reforçando as regras para investimentos estrangeiros

O governo alemão aprovou, nesta quarta-feira (12), um decreto para reforçar as regras de investimentos estrangeiros em suas empresas consideradas estratégicas, em meio a desconfianças sobre investimentos chineses na Europa.

“Seguimos sendo uma das economias mais abertas do mundo, mas também cuidamos para que as condições de competir continuem justas”, disse a ministra da Economia socialdemocrata Brigitte Zypries em comunicado.

Embora não cite nenhum país em particular, a China está na mira, com a chanceler Angela Merkel tendo expressado sua preocupação com o “expansionismo chinês”.

Na Alemanha, qualquer investimento superior a 25% do capital de uma empresa por parte de uma companhia estrangeira – de fora da União Europeia ou da Associação Europeia de Livre-Comércio (AELC) – deve ser supervisionada pelo Ministério da Economia.

O processo serve para verificar se a transação pode ameaçar a ordem pública ou a segurança do país.

Mas, diante do crescente número de compras de empresas, transações “cada vez mais complexas”, a Alemanha considera indispensável “adaptar as modalidades do processo de revisão”, explicou o Ministério.

O governo alemão vai, portanto, prorrogar de dois para quatro meses o prazo de estudo das oferta de compras. Além disso, ele também poderá avaliar empresas de serviços e fabricantes de softwares em setores estratégicos, como redes elétricas, centrais nucleares, abastecimento de água, redes de telecomunicações, hospitais e aeroportos.

Levando em conta que as empresas alemãs recebem investimentos de países cuja economia “não é tão aberta quanto a nossa”, as medidas divulgadas nesta quarta permitirão, segundo a ministra, “maior proteção e reciprocidade”.

Menos diplomático, o secretário de Estado Matthias Machnig disse, num artigo publicado no jornal Süddeutsche Zeitung, que “é claro que somos uma economia aberta, mas não somos inocentes”.

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