AEB alerta para risco de desindustrialização no Brasil

Associação de Comércio Exterior do Brasil afirma que o predomínio de commodities em detrimento de produtos manufaturados pode ameaçar a produção nacional

Rio de Janeiro – O vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) e diretor da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca, e o vice-presidente da AEB, José Augusto de Castro, alertaram hoje para o efeito de desindustrialização em alguns setores da economia brasileira. Os dois ressaltaram uma inversão na composição da pauta exportadora do País nos últimos anos, com predomínio de commodities em detrimento de produtos manufaturados.

O cenário é especialmente preocupante neste momento, segundo eles, diante da turbulência internacional, em meio à queda do preço de commodities. “Tudo o que o Brasil se beneficiou nestes últimos anos pode agora se reverter”, disse Castro no Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex), no Rio.

Ele cita produtos como o açúcar – que teve aumento em termos de volume e de preço na última década, passando de US$ 197 por tonelada para US$ 556 por tonelada entre 2001 e 2011. Giannetti ressalta que, em 2000, a pauta era marcada pela exportação de aviões, automóveis, confecções e aparelhos, entre outros. Hoje, aviões, por exemplo, aparecem apenas marginalmente na pauta. Giannetti destaca que o coeficiente de importação, medido sobre o consumo aparente, alcançou 22,9% no segundo trimestre de 2011. Em 2003, estava em 12,5%.

“Em oito anos quase dobrou. Crescer é bom para a economia brasileira, o que não pode é crescer desta forma acelerada, substituindo produto nacional por importado de forma predatória. Muitas vezes as importações são feitas de forma desleal”, disse Fonseca. AEB mostra que as exportações de manufaturados estagnaram em toneladas desde 2009, enquanto a de commodities explodiram, sustentando a balança comercial desde 2001.

Faxina

Giannetti da Fonseca defendeu apoio à presidente Dilma Rousseff à chamada faxina contra corrupção no governo e criticou fortemente a ameaça de congressistas de partidos insatisfeitos com as trocas de cargos no executivo de dificultar a aprovação de medidas no legislativo. “O Brasil precisa de reformas estruturais. A sociedade civil precisa apoiar integralmente a presidente, e mostrar intolerância e indignação com essa postura”, defendeu.

O presidente do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), Jorge Ávila, fez coro e defendeu a construção de “um ambiente mais ético, com governabilidade”.