Pesquisadores finalizam sequenciamento de citros

Cientistas acreditam que o sequenciamento é um passo da ciência para buscar a resistência ao greening, principal praga da citricultura

Ribeirão Preto – Consórcio internacional de pesquisadores do Brasil, Estados Unidos, França, Itália e Espanha finalizou o sequenciamento do genoma das dez principais variedades de citros. Os detalhes foram publicados na última edição da revista “Nature Biotechnology”, distribuída nesse domingo, 08.

Entre os principais participantes do estudo está um grupo de pesquisadores do Instituto Agronômico (IAC) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (SP), os quais acreditam que o sequenciamento é um passo da ciência para buscar a resistência ao greening (huanglongbing – HLB), principal praga da citricultura.

O grupo analisou e comparou as sequências do genoma de dez diferentes variedades de citros, incluindo laranjas, doce e azeda, toranjas e tangerinas.

Além de buscar a cura de doenças, os cientistas pretendem aplicar as ferramentas genômicas para compreender como surgiram as variedades de citros e como elas respondem às doenças e a outros estresses ambientais, como o hídrico.

Com isso, poderão desenvolver plantas mais resistentes ou com mais vitaminas, por exemplo.

O estudo mostrou, por exemplo, que as variedades analisadas são derivadas de duas espécies de citros selvagens existentes no Sudeste Asiático há mais de 5 milhões de anos.

Uma dessas espécies selvagens deu origem, por exemplo, à toranja, o maior fruto cítrico que pode ser considerado uma espécie única e o mais antigo citro cultivado atualmente.

As tangerinas, por exemplo, resultam de misturas genéticas de uma segunda espécie e da própria toranja. A laranja doce, a variedade de citros mais cultivada em todo o mundo, é um híbrido genético complexo de tangerina e toranja, presumivelmente responsável por suas qualidades únicas.

“Esse é um resultado que está sendo perseguido há vários anos por toda a comunidade internacional que trabalha em pesquisa com citros. É um marco na história da pesquisa em citricultura”, informou Marcos Antonio Machado, diretor do Centro de Citricultura do IAC, em Cordeirópolis (SP), um dos coordenadores da pesquisa.

No entanto, segundo ele, ainda é cedo para anunciar uma cura para doenças por meio do estudo do genoma, principalmente do HLB.

“A expectativa é que tenhamos um melhor entendimento dos processos que levam ao HLB e consigamos controlá-lo. Mas ainda não tem nada concreto para amanhã”, concluiu.