Ondas gravitacionais foram a maior descoberta da ciência em 2016

Outros fatos também foram importantes no ano para a ciência e a tecnologia, como a descoberta do exoplaneta habitável mais próximo da Terra

O ano de 2016 será lembrado cientificamente pela confirmação da existência de ondas gravitacionais estudadas por Albert Einstein há um século.

Mas outros fatos também foram importantes no ano para a ciência e a tecnologia, como a descoberta do exoplaneta habitável mais próximo da Terra, a apresentação da foto da primeira flor nascida em uma estação espacial e a constatação de que a Australopithecos Lucy morreu ao cair de uma árvore, que trouxe revelações sobre a evolução humana.

Relembre alguns dos seis fatos científicos e tecnológicos mais importantes de 2016:

Cientistas descobrem ondas gravitacionais previstas há 100 anos por Einstein

Concebidas em 1915 por Albert Einstein (1879-1955) em sua Teoria da Relatividade Geral, as minúsculas distorções no espaço-tempo eram a única parte da teoria que ainda não havia sido confirmada pela ciência.

O valor da descoberta permitirá que astrofísicos conheçam mais sobre a composição das galáxias, os buracos negros e a dinâmica da gravidade

O pesquisador do Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Riccardo Sturani, foi um dos líderes da equipe brasileira responsável por analisar os dados gerados pela detecção de ondas gravitacionais.

Segundo o italiano radicado no Brasil, os cientistas passaram a ver objetos do universo que não emitem luz nem radiação eletromagnética e “que não poderiam ser vistos de outra forma”.

Planeta habitável descoberto a 20 anos-luz da Terra

O exoplaneta “Proxima B”, como foi batizado, orbita ao redor da Proxima Centauri, a estrela mais perto do Sol. Ele tem condições de temperatura parecidas com as da Terra, o que pode permitir a existência de água líquida em sua superfície, condição essencial para o surgimento de vida.

A descoberta é resultado do trabalho de dezesseis anos de uma equipe de mais de trinta cientistas que trabalharam com as observações feitas pelos telescópios e outros instrumentos do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês).

Nasa apresenta foto da 1ª flor nascida em estação espacial

A agência espacial norte-americana (Nasa) apresentou, no início do ano, fotos da primeira flor que cresceu na Estação Espacial Internacional (ISS), como parte de um experimento de dois anos para cultivar plantas no espaço.

O experimento com flores começou em 16 de novembro de 2015, quando o astronauta Kjell Lindgren ativou as sementes de zinias, um processo que se demonstrou mais complicado que o esperado.

A planta sofreu ataque de mofo, devido à umidade. As partes afetadas pelo fungo foram retiradas e ela sobreviveu.

Esse projeto tem como objetivo obter informações sobre a resposta das plantas em microgravidade e para futuras missões a Marte, que deverão conhecer como racionar água ao máximo e os possíveis problemas que podem surgir dentro dos módulos espaciais.

Apesar de os astronautas já terem conseguido plantar alfaces e outros vegetais em sua horta espacial, esta é a primeira vez que flores, do gênero das zinias, se abrem fora da gravidade terrestre.

Pesquisadores revelam que a australopithecos Lucy morreu ao cair de uma árvore

A descoberta de Lucy, um dos fósseis de hominídeo mais completos já identificados, preencheu uma lacuna na árvore evolutiva humana.

Embora Lucy tivesse crânio, mandíbulas, dentes e longos braços similares ao de um macaco, ela andava ereta. Seus ossos compõem quase 40% de um esqueleto.

A australophitecus, que viveu na África há 3,18 milhões de anos, provavelmente morreu ao cair de uma árvore, revelou um estudo científico publicado pela revista Nature.

De acordo com o estudo, os ossos do braço de Lucy se estilhaçaram com o impacto da queda. O trauma é semelhante ao de vítimas de acidentes de carro, afirmaram pesquisadores dos Estados Unidos e da Etiópia.

Com cerca de 1,10 metros, Lucy teria caído de uma altura de mais de 12 metros, a uma velocidade de mais de 56 km/h, segundo pesquisadores.

Sonda Rosetta pousa em cometa, dando fim a missão de 12 anos

Em setembro, a Sonda Rosetta aterrissou no cometa 67P/ Churyumov-Gerasimenko, encerrando uma missão espacial de mais de 12 anos, conduzida pela Agência Espacial Europeia (ESA).

A missão foi lançada em março de 2004 com o objetivo de alcançar o cometa 67P e soltar sobre ele o robô Philae.

Conforme previsto, seu computador de bordo enviou para a Terra as últimas imagens, que mostram o solo do cometa 15 segundos antes do impacto, além de dados sobre os gases, compostos químicos e poeira presentes no local, que podem contribuir para a descoberta da origem do sistema solar.

O objetivo da missão era capturar a maior quantidade possível de dados sobre os cometas, importantes objetos de estudo por serem considerados “restos” da formação do Sistema Solar que continuam vagando pelo Universo.

Minutos antes do encerramento, a Rosetta enviou a última mensagem no Twitter. “Enquanto me aproximo da superfície, meu instrumento Rosina indica o aumento da pressão de gases ao redor do cometa 67P/ Churyumov-Gerasimenko”.

O retorno de astronautas depois de um longo período no espaço

O cosmonauta russo Sergueï Volkov, o seu compatriota Mikhaïl Kornienko e o norte-americano Scott Kelly aterrissaram, conforme previsto, no Cazaquistão, após Kelly e Kornienko passarem 340 dias na Estação Espacial Internacional para preparar futuras missões a Marte. Sergueï Volkov, por sua vez, esteve a bordo por mais de cinco meses.

O objetivo dos astronautas era estudar os efeitos de longas jornadas espaciais no corpo humano. Enquanto Kelly estava no espaço, seu irmão gêmeo Mark, astronauta aposentado, permanecia na Terra.

Como possuem o mesmo material genético, a Nasa pretende comparar os dados psicológicos e moleculares de Scott com os de Mark.

Scott Kelly foi responsável pela realização de experimentos, como a criação de alface e a plantação de uma flor no ambiente de microgravidade da ISS, a mesma que floresceu em janeiro deste ano.