OMS diz que medidas de restrição podem piorar transmissão do ebola

Diálogo com comunidades afetadas e compreensão de parte destes comportamentos de risco constituem maneira mais eficaz para deter a propagação da doença

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considerou nesta sexta-feira que a imposição de restrições de viagens e comércio nos tres países afetados por uma epidemia de ebola – Serra Leoa, Libéria e Guiné – teria efeitos contraproducentes.

É considerado que o diálogo com as comunidades afetadas e a compreensão de parte destes comportamentos de risco constituem a maneira mais eficaz para deter a propagação da grave doença.

“Se tentarmos aplicar medidas que sejam vistas como restritivas pela população, vamos atiçar o surto e a transmissão, e a doença se estenderá”, advertiu o especialista da organização, Pierre Formenty.

“Favorecemos o diálogo com as famílias e comunidades afetadas ao invés de uma política sanitária com a qual tentamos controlar qualquer movimento da população, como se fôssemos uma polícia sanitária”, acrescentou.

Por isso, Formenty disse que sua organização “não recomenda que seja aplicada nenhuma restrição de viagem ou comércio nestes países”.

Segundo a última apuração de casos, nos três países foi registrado um total de 625 casos de ebola, com 399 mortos.

Esta epidemia é considerada pelo número de vítimas e por ocorrer em três países a mais grave observada até o momento, mas a OMS assegurou hoje que “não está fora de controle”, como afirmou a ONG Médicos Sem Fronteiras.

“A situação não está fora de controle. Foram feitas muitas nos últimos três meses para deter a transmissão nos três países, aos quais estamos apoiando e com cujos ministérios de Saúde trabalhamos diariamente”, assegurou Formenty.

Formenty explicou que “as dificuldades para identificar os casos, rastrear seus contatos e fazer a população entender o que devem fazer quando têm um doente em casa e em funerais” impediram a detenção da transmissão do vírus da febre hemorrágica do ebola.

“O surto se amplificou porque fomos incapazes de aplicar medidas para restringí-lo. Este fracasso provocou uma rede de transmissão clandestina que explica porquê estamos aqui agora”, reconheceu.

No entanto, o especialista da OMS assegurou que nem todos foram fracassos, pois apesar de em alguns lugares não tenha sido possível deter o contágio, em outros a situação foi totalmente controlada.

A organização trabalha com a ideia de que o ebola seguirá sendo transmitindo por conta da mobilidade do povo entre um país e outro, pelo qual os países vizinhos (como Mali, Guiné-Bissau, Costa do Marfim e Senegal), onde ainda não o mal não foi detectado, devem se preparar caso que isto ocorra.