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São Paulo - Um novo método desenvolvido no Instituto de Física (IF) da USP simplifica o diagnóstico da apneia do sono, distúrbio que é caracterizado por paradas respiratórias durante o sono. A partir dos sons do paciente captados por um gravador, o sistema calcula o Índice de Intervalos Temporais de Ronco (STII), em que os períodos prolongados sem respiração indicam a apneia. A técnica, já utilizada em pesquisas de Fonoaudiologia e Odontologia que visam o controle do distúrbio, é descrita em artigo na revista científica Physica A disponível na internet.
A apneia obstrutiva se caracteriza por obstruções recorrentes da garganta durante o sono. “Se a passagem do ar é interrompida parcialmente, são emitidas vibrações sonoras durante o sono, ou seja, ocorre o ronco”, explica o professor Adriano Alencar, do IF, um dos idealizadores do projeto. “Hoje, a apneia é diagnosticada por meio do exame de polissonografia, que exige a presença do paciente no hospital, onde ele irá dormir ligado a equipamentos que monitoram o corpo inteiro, um processo de custo elevado e que limita a quantidade de exames”
O método foi testado em um grupo de 17 pacientes no Laboratório do Sono da disciplina de Pneumologia da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), localizado no Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas (HC) da FMUSP. Um gravador de áudio profissional era colocado ao lado da cama para registrar todo o período de sono (em média 7 horas).
“A gravação de cada paciente foi enviada pela internet para ser processada em um servidor de computador no IF, que fornece a intensidade dos sons emitidos pelo paciente em decibéis”, conta o professor Alencar. “Em seguida, um algoritmo (fórmula matemática usada em computação) identifica as ocorrências de ronco e elabora um gráfico mostrando o intervalo de tempo em segundos de cada uma delas”.
Com base no gráfico, é feito o cálculo do STII e o diagnóstico da apneia do sono. “São considerados todos os intervalos entre roncos que sejam maiores do que 10 segundos e menores que 100 segundos, o que caracteriza parada total da respiração e a apneia”, aponta o professor.
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