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Pesquisa | 19/03/2012 14:30

Espermatozóides sabem realizar cálculos complexos

Segundo pesquisador espanhol o cálculo diferencial, que não era realizado até o século XVIII, já é feito por espermatozóides há mais de 400 milhões de anos

Wikimedia Commons

Espermatozoide fecunda óvulo

Segundo Álvarez, a pesquisa é um passo importante no "entendimento de como as células processam os sinais que recebem"

Berlim - Uma equipe de pesquisadores do Instituto Max Planck alemão, liderada pelo espanhol Luis Álvarez, descobriu que os espermatozóides são capazes de realizar cálculos complexos.

Os cientistas do Centro Europeu de Estudos e Pesquisa Avançadas de Bonn determinaram que quando o óvulo libera emissores químicos que modificam a concentração de íons cálcio no interior dos espermatozóides (o que ativa sua movimentação), eles não reagem ao aumento dos níveis dessa substância, mas às suas variações.

"O que eles medem são as taxas de mudança ao longo do tempo, a rapidez ou a lentidão da alteração da concentração de cálcio que entra nos espermatozóides de seu exterior", disse à Agência Efe o cientista espanhol.

Assim, "em função do valor da taxa de mudança, alteram a forma como movimentam a cauda e mudam de direção. Em outras palavras, a direção dos espermatozóides é regulada pela velocidade da mudança de cálcio", explicou.

"Resulta bastante cômico pensar que o cálculo diferencial (ramo importante da matemática que se dedica ao estudo de taxas de variação de grandezas e a acumulação de quantidades) não era realizado até o século 18, mas os espermatozóides já faziam isso há mais de 400 milhões de anos", ressaltou.

Álvarez explicou que "os espermatozóides, como muitas outras células, fazem dezenas de cálculos". O fenômeno descoberto pela equipe foi observado por enquanto unicamente nos espermatozóides de várias espécies marítimas.

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