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Doenças | 02/08/2012 11:27

Enzima do parasita da esquistossomose tem ação inesperada

A proteína assume, no verme, uma função diferente de sua ação em organismos humanos

Bruna Romão, da

Getty Images

mulher fazendo pesquisa científica

Cientista em laboratório: no parasita, enzima tem função diversa da que exerce no homem

São Paulo - No Schistosoma mansoni, parasita causador da esquistossomose, a enzima 5’-deoxi-5’-metiltioadenosina fosforilase (MTAP), é capaz de realizar catálises, propiciando e acelerando reações químicas celulares, mesmo na ausência de fosfato, seu substrato por natureza. Além disso, no organismo do parasita, sua afinidade é maior para a adenosina do que com seu próprio substrato natural, a metiltioadenosina (MTA).

Estas informações poderão contribuir para o futuro desenvolvimento fármacos de combate à doença, que afeta cerca de 230 milhões de pessoas no mundo todo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Os resultado constam no estudo da bióloga Juliana Roberta Torini de Souza. A pesquisa integra o Projeto Purinoma, coordenado pelo pesquisador Humberto D’Muniz Pereira, no Programa de Pós Graduação em Física do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP.

Juliana explica que o mecanismo de ação da proteína no parasita, completamente diferente daquele apresentado no organismo humano, exerce função vital para o S. mansoni, auxiliando-o na obtenção de energia e na síntese de DNA. O parasita tem como principal característica a alta postura de ovos: cerca de 300 ao dia, o que também representa grande atividade celular.

“Para ter capacidade energética para essa postura tão alta, ele precisa obviamente sintetizar DNA, para os ovos, e moléculas energéticas, já que a atividade metabólica é muito alta”, explica. Incapaz de realizar a síntese de purinas — moléculas essenciais para o metabolismo da maioria das células — o verme, então, supre sua necessidade com precursores pré-formados obtidos do organismo hospedeiro, processando-os. Esta é a chamada via de salvação, de que participa a MTAP, ao converter adenosina em adenina.

Segundo Juliana, a MTAP está presente no homem, porém com ação diferente. A função natural da enzima, que é aquela constatada no organismo humano, é converter a MTA em adenina, para utilização posterior na via de salvação, e em 5-metiltio-D-ribose-1-fosfato (MTR-1-P), utilizado na via de síntese de metioninas. Apesar de também auxiliar na salvação de adenina para o Homo sapiens, a proteína não o faz diretamente a partir da adenosina. “A conversão de adenosina para adenina, em humanos, é feita em duas etapas por outras enzimas. Enquanto o S. mansoni adapta essa enzima de outra via para converter adenosina em adenina de forma direta”, elucida.

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