Menina de 9 anos vence o machismo de um clube de robótica

A canadense Cash Cayen, de nove anos, criou uma petição, que teve mais de 28 mil assinaturas, para poder entrar num clube de robótica que era só para meninos

São Paulo – Uma menina de apenas nove anos está vencendo o machismo com a ajuda da internet. Cash Cayen e sua mãe decidiram criar uma petição no site Change.org há apenas três dias. O motivo? A biblioteca pública de Timmins, no Canadá, não admitiu a inscrição da garota em um clube de robótica. O programa aceitava somente meninos.

O clube de robótica funciona como uma curso prático onde cada criança constrói seu robô. Cash ouviu, da administradora da biblioteca, uma explicação sem sentido sobre o fato de o curso não permitir a entrada de garotas.

A mulher disse que a razão era que as habilidades acadêmicas e de alfabetização dos meninos não melhoram durante as férias de verão. Aparentemente, ela achou que seria melhor manter os meninos ocupados nas férias, mas não as meninas.

“Ela disse que eu poderia ser adicionada a uma lista de espera. Se um número suficiente de meninas mostrasse interesse, eles poderiam repensar o assunto e oferecer o programa para as meninas no futuro”, escreveu a garota no site da petição.

A explicação da administradora não agradou à família de Cash e, muito menos, à internet. A petição da menina teve mais de mil assinaturas em poucas horas. Além disso, vários internautas apoiaram Cash com comentários no site da petição.

“Como podemos esperar ter mais meninas envolvidas em carreiras predominantemente masculinas, como ciência e engenharia, se elas nunca recebem oportunidades para promover seu potencial na área”, disse a canadense Michelle Couture, em um dos comentários.  

Após muitas mensagens e mais de 28 mil assinaturas na petição, a biblioteca voltou atrás. O chefe do conselho da instituição, Michael Doody, pediu desculpas pelo mal-entendido e disse que Cash e outras garotas interessadas em robótica poderão participar do programa.

A mãe da menina, Caroline Martel, disse ao site Yahoo Canadá que ela está feliz pela vitória. Porém, ela ainda se preocupa com a declaração de Doody. “Nós estamos felizes por eles estarem abrindo o curso para todos. Mas isso não foi um mal-entendido. Foi discriminação de gênero”, finalizou Martel.

Essa não é a primeira vez que mulheres sofrem preconceito pela comunidade científica. Em junho deste ano, o vencedor do Nobel de medicina, Tim Hunt, disse, em uma conferência, que as mulheres atrapalham o trabalho dos homens nos laboratórios.

“Três coisas acontecem quando elas estão no laboratório. Você se apaixona por elas, elas se apaixonam por você e, quando você as critica, elas choram”, disse Hunt.

O comentário do professor não agradou centenas de cientistas mulheres em todo o mundo. Elas começaram a usar a hashtag #DistractinglySexy (distraidamente sexy em inglês) nas redes sociais e compartilhar fotos no trabalho. Em questão de horas, mais de 10 mil tuites sobre o assunto foram postados.

Alguns dias após o comentário infeliz, Hunt demitiu-se de seu cargo na University College London, na Inglaterra.