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Última atualização 26/05/2017 - 17:20 FONTE

Há uma bomba relógio climática sob nossos pés

O solo terrestre é um imenso sumidouro natural de carbono, mas com o aumento das temperaturas isso pode mudar e o resultado não é nada bom

São Paulo – Assim como as florestas e os oceanos, os solos terrestres são um dos maiores sumidouros de dióxido de carbono (CO2) no mundo. Eles estão repletos de uma densa rede de plantas e raízes que foram enterradas ao longo de dezenas de milhares de anos.

Para crescer, essas plantas puxaram mais CO2 da atmosfera do que emitiram para usar como combustível e todo esse gás que estocaram permanece preso no solo após sua morte.

Ao agir como um sumidouro natural de carbono, o solo ajuda a regular a quantidade de gases efeito de estufa presentes na atmosfera e que contribuem para o aquecimento do Planeta.

Porém, esse guardião também está virando uma vítima do aquecimento global, segundo pesquisadores de estudos florestais e ambientais da Universidade de Yale, nos EUA.

Em estudo publicado na renomada revista científica Nature, eles alertam que o aumento da temperatura afeta os microrganismos que vivem no solo, aumentando naturalmente sua taxa de  respiração e, portanto, a taxa de liberação de gases de efeito estufa.

Os efeitos desse fenômeno ganham proporções de bomba-relógio ao se considerar que as maiores perdas ocorrerão nos ecossistemas de alta latitude, como o Ártico.

No tipo de solo encontrado naquela região, chamado de permafrost, as temperaturas mais baixas e a atividade microbiana mais lenta levaram ao acúmulo massivo de reservas de carbono ao longo de milhares de anos.

Pelas estimativas dos cientistas, para cada 1 grau Celsius de aquecimento global, os solos  liberarão aproximadamente 30 bilhões de toneladas de CO2 na atmosfera, o equivale à emissão total de gases efeito estufa pela atividades humanas em 2014 no mundo.

Considerando o aumento de temperatura esperado até meados do século, os cientistas estimam que este processo natural possa liberar 55 bilhões de toneladas adicionais de CO2 no ar até 2050.

Esse dado acrescenta novas variáveis aos esforços de combate às mudanças climáticas, que antes não eram contabilizadas. Segundo os cientistas, a maior parte dos estudos anteriores foram conduzidos em regiões temperadas do mundo, onde a concentração de carbono é menor.

Eles destacam, porém, que o estudo atual considera apenas perdas de carbono do solo em resposta ao aquecimento, ressaltando que existem vários outros processos biológicos, como o crescimento acelerado de plantas (em função do aumento da concentração de dióxido de carbono), que poderiam amortecer ou aumentar o efeito deste feedback de carbono no solo.

O desafio é compreender como esses processos interagem em escala global e agir o quanto antes para limitar as emissões de todas as fontes humanas. Sem isso, poderemos facilmente exceder nosso “orçamento de carbono” planetário.

Comentários

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  1. joao Mega Imagem

    {O desafio é compreender como esses processos interagem em escala global e agir o quanto antes para limitar as emissões de todas as fontes humanas. Sem isso, poderemos facilmente exceder nosso “orçamento de carbono” planetário}
    Sinto informar mas a humanidade não tem salvação, chegamos em um ponto sem volta e por mais que cheguemos a zero emissões de CO² a humanidade será extinta, não estarei aqui pra ver mas disso não temos saída!