Genética influi na percepção do gosto do álcool, diz estudo

Os genes determinam como uma pessoa sente o gosto amargo do álcool e podem influir na probabilidade de ela se tornar alcoólatra

São Paulo – Uma variação genética ligada à percepção de sabores amargos pode influenciar na forma como uma pessoa sente o gosto do álcool. A descoberta consta num estudo da universidade da Pensilvânia.

O artigo foi divulgado na publicação de ciência Alcoholism: Clinical and Experimental Research. Nele, pesquisadores relatam os resultados de um estudo no qual pediram a 93 pessoas que registrassem como percebiam o sabor de um drink com 16% de álcool e de uma solução com 50% de álcool.

Após o experimento, os cientistas perceberam que os participantes com um par de uma determinada variação do gene TAS2R38 percebiam como mais amargo o sabor do álcool do que aqueles que tinham um ou dois genes de uma outra versão do mesmo gene.

Os cientistas acreditam que aqueles que percebem o álcool como menos amargo podem ter mais chances de desenvolver problemas com bebidas – como alcoolismo.

“Nós imaginamos que cerca de 25% da população tenham dois genes da versão mais sensível, 25% tenham a versão menos sensível e 50% estejam no meio”, afirmou em entrevista ao Mashable o médico John Hayes, autor do estudo.

Outros trabalhos

O resultado da pesquisa está em sintonia com descobertas de trabalhos anteriores.

Em 2004, um experimento realizado por pesquisadores americanos já havia apontado que pessoas com um gene da versão mais sensível do TAS2R38 bebiam em média 134 drinks por ano – contra 188 de quem tinha as 2 versões do gene e 290 de quem só tinha a versão menos sensível.

Entretanto, os cientistas alertam que fatores culturais e de outros tipos também influenciam na relação de uma pessoa com as bebidas alcóolicas. “A ideia de que um mero fator biológico pudesse ter um papel tão importante é muito assombrosa”, afirmou Hayes.