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Última atualização 26/05/2017 - 15:50 FONTE

Experimento científico lança luz sobre a antimatéria

Uma nova técnica permitiu que cientistas estudassem o comportamento de um único átomo de antimatéria sob luz ultravioleta

Físicos anunciaram na segunda-feira um passo importante para desvendar um dos grandes mistérios do Universo: O que aconteceu com toda a antimatéria criada no Big Bang?

Uma nova técnica permitiu que eles estudassem o comportamento de um único átomo de antimatéria sob luz ultravioleta, escreveu uma equipe de pesquisadores na revista científica Nature.

“Imagine que você é o primeiro a olhar para algo sobre o Universo que ninguém mais viu. É isso que está nos deixando felizes agora”, disse à AFP Jeffrey Hangst, da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN).

“Abre um ramo completamente novo de investigação”, acrescenta.

O Modelo Padrão da Física, que explica grande parte do Universo tal como o conhecemos, postula que o Big Bang deve ter criado uma quantidade exatamente igual de matéria e antimatéria.

Os físicos acreditam que cada partícula de matéria deveria ter uma antipartícula “espelho”, com a mesma massa mas carga oposta.

O problema é que a matéria e a antimatéria não podem existir juntas.

Quando elas se encontram, há uma reação violenta que aniquila ambas em um flash de energia – o princípio que alimenta as naves espaciais imaginárias em Star Trek.

Os físicos acreditam que a maioria da matéria e da antimatéria se encontraram e implodiram pouco depois do Big Bang.

Mas eles não conseguem explicar por que uma parte da matéria sobreviveu para criar tudo o que existe no Universo visível.

Quanto à antimatéria, átomos raros podem ser criados em eventos de alta energia.

Eles foram detectados em raios de radiação cósmica e criados no laboratório Alpha do CERN na Suíça, que produziu átomos de anti-hidrogênio por muitos anos.

Por que estamos aqui?

Os cientistas nunca foram capazes de encontrar antipartículas agrupadas na forma de antimatéria.

“Tivemos muitos êxitos no entendimento de como as coisas funcionam, mas não podemos explicar por que estamos aqui”, disse Hangst.

“Não deveríamos estar (aqui). Deveria haver apenas energia e alguma luz. E ninguém sabe explicar por que há matéria e não antimatéria”, acrescentou.

Hangst e uma equipe esperam que o novo método, que ainda será aprimorado, impulsione o estudo em profundidade dos antiátomos.

Em particular, eles querem ver se átomos de hidrogênio e de anti-hidrogênio reagem de forma semelhante à luz.

Todos os átomos absorvem apenas frequências específicas de luz. Segundo a teoria predominante, hidrogênio e anti-hidrogênio deveriam absorver o mesmo tipo.

Mas as observações iniciais são inconclusivas.

“Podemos dizer que elas são consistentes”, disse Hangst. “Mas até agora a medição não é suficientemente precisa”.

Chegar a uma resposta mais enfática poderia levar “alguns anos”.

“Quero a resposta, quero a verdade. E agora eu sei que posso conseguir isso”, disse o físico.

Comentando o estudo, o professor de física Themis Bowcock, da Universidade de Liverpool, descreveu-o como um marco técnico.

“Ele marca um importante passo na nossa capacidade de estudar antiátomos no laboratório e abre a porta para uma nova via de pesquisa sobre a antimatéria”, disse à AFP.