Dólar R$ 3,27 -0,54%
Euro R$ 3,65 0,07%
SELIC 11,25% ao ano
Ibovespa 1,36% 64.085 pts
Pontos 64.085
Variação 1,36%
Maior Alta 4,89% RADL3
Maior Baixa -6,09% JBSS3
Última atualização 26/05/2017 - 17:20 FONTE

Cientistas querem dar antiácido à atmosfera contra aquecimento

As temperaturas médias globais aumentam constantemente a longo prazo e os esforços internacionais para corrigi-las caem na mesma proporção

Washington – As temperaturas médias globais aumentam constantemente a longo prazo e os esforços internacionais para corrigi-las caem na mesma proporção.

Por essa razão, alguns cientistas e engenheiros estão trabalhando em soluções cada vez mais desesperadas para os sintomas da mudança climática global.

Uma abordagem de “geoengenharia” da Terra é imitar o efeito de resfriamento atmosférico natural que tende a acompanhar a enorme dispersão de dióxido de enxofre no ar após uma erupção vulcânica. Essa estratégia tem alguns problemas óbvios.

Por exemplo, não se sabe ao certo que país ou órgão internacional teria autorização para lançar o dióxido de enxofre. O químico também é poluente e causa chuva ácida.

Além disso, poderia indiretamente corroer a camada de ozônio que protege os seres vivos dos raios ultravioletas e aquecer a parte inferior da estratosfera acima dos trópicos, a cerca de 30 quilômetros de altura.

Um grupo de pesquisadores de Harvard liderado por David Keith, professor de Física Aplicada e Políticas Públicas, acaba de propor uma solução diferente na Proceedings of the National Academy of Sciences, a publicação oficial da Academia Nacional de Ciências dos EUA.

Um aerossol de carbonato de cálcio teria um efeito de resfriamento similar ao do dióxido de enxofre na parte superior da atmosfera e, como bônus, ajudaria a proteger a camada de ozônio.

A abordagem é semelhante à de dar à atmosfera um punhado de comprimidos de antiácido. O aerossol bloquearia parte da energia solar que chega ao planeta e neutralizaria as partículas de ácido no ar que são ruins para o ozônio.

O novo estudo expande as opções de semeadura atmosférica além do dióxido de enxofre, que tem gerado muito debate dentro e fora da comunidade científica.

A opção por um composto de cálcio que está entre os mais comuns da Terra “pode provocar um risco ambiental significativamente menor do que o aerossol de sulfato”, escrevem os autores.

O estudo faz eco às advertências feitas no ano passado em um estudo do National Research Council sobre “modificação do albedo”, frase científica que significa aumentar a capacidade da Terra de refletir a luz solar que chega ao planeta.

O comitê que realizou o estudo estava “preocupado com o fato de o entendimento das consequências éticas, políticas e ambientais de uma ação de modificação do albedo estar relativamente menos avançado do que a capacidade técnica para executá-la”.

Resumindo: o conhecimento sobre uma ação não necessariamente a transforma em uma grande ideia.