Cientistas criam biosensor que detecta tumor antes que se origine

O biosensor apresentou uma sensibilidade 440 vezes superior à de outros dispositivos similares

Madri – Uma equipe de pesquisadores espanhóis desenvolveu um biosensor capaz de detectar tumores antes mesmo que eles se originem.

O método de diagnóstico foi desenvolvido por cientistas da Universidad Complutense de Madri (UCM) e do Instituto de Pesquisas Biomédicas Alberto Sols, em parceria com diferentes hospitais.

Antes mesmo do desenvolvimento de um tumor maligno, o sistema imunológico tenta combatê-lo gerando determinados anticorpos. Quando as células vão se transformar em tumorais, há uma alteração da expressão de algumas proteínas. Essa mudança pode se iniciar vários meses – ou até anos – antes do desenvolvimento da doença e que ela seja detectada pelos médicos.

“Nosso sistema imunológico produz os anticorpos três anos antes que se manifestem os primeiros sintomas”, explicou Susana Campuzano, pesquisadora do Departamento de Química Analítica da UCM e coautora do trabalho.

O novo biosensor detecta esses anticorpos em pacientes com câncer e pessoas com alto riscos de sofrer a doença no futuro.

Os pesquisadores comprovaram a efetividade em amostras sorológicas de quatro pacientes com câncer de cólon e dois de ovário. Além disso, ele também foi analisado para analisar 24 pessoas com elevada probabilidade de desenvolver tumores malignos no cólon por antecedentes genéticos.

“Com a ajuda do biosensor, os cientistas determinaram os anticorpos gerados pelos pacientes para a proteína p53, conhecida como a guarda do genoma, já que repara mutações do DNA evitando alterações no ciclo celular e a aparição dos tumores”, afirmou José Manuel Pingarrón, professor da UCM e coautor do estudo.

Quando a p53 sofre uma mutação e se multiplica sem controle, o sistema imunológico de entre 10% e 40% dos pacientes com câncer produz anticorpos contra ela, alertando sobre a possível doença.

“A presença de anticorpos da proteína p53 poderia ser o indicativo da existência de uma doença neoplástica já iniciada ou do risco de desenvolvê-la em um futuro próximo”, completou Rodrigo Barderas, pesquisador do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da UCM e também coautor do trabalho.

O biosensor apresentou uma sensibilidade 440 vezes superior à de outros dispositivos similares e soube identificar melhor as amostras sorológicas positivas e negativas de anticorpos da proteína p53.

O estudo também destaca a simplicidade do manejo, a portabilidade e, sobretudo, a rapidez em que o biosensor realiza o teste: apenas seis horas. Os métodos tradicionais demoram semanas ou meses.

Além de servir como método de diagnóstico antecipado, o biosensor pode ser utilizado para acompanhar a evolução da doença em pacientes que apresentem anticorpos da proteína p53 em biópsias líquidas.