Cientistas alteram genoma humano em embriões pela primeira vez

Os cientistas, no entanto, advertiram sobre as implicações éticas do trabalho

Pela primeira vez na história, cientistas conseguiram alterar o genoma humano em embriões. O trabalho foi realizado por pesquisadores chineses, que removeram um gene responsável por uma doença sanguínea potencialmente fatal de embriões de uma clínica de fertilidade.

Os cientistas, no entanto, advertiram sobre as implicações éticas do trabalho. Apesar de terem usado propositadamente um tipo de embrião incapaz de se tornar um ser vivo, a técnica usada para editar o material genético – conhecida como CRISPR – é capaz não só de remover doenças do genoma humano, mas também de melhorar características como inteligência e beleza.

Biólogos advertiram sobre os perigos de alteração da linha germinal humana – alterações permanentes no ovo, esperma ou embriões que podem ser transmitidas às gerações futuras – em um artigo publicado na revista Science no começo deste mês. “As ‘enormes oportunidades’ de tal engenharia genética vêm com ‘riscos desconhecidos para a saúde humana e o bem-estar’”, afirmaram eles.

Em uma entrevista ao jornal The New York Times no mês passado, George Q. Daley, especialista em células-tronco e membro do time de biólogos do artigo da revista Science, disse que isso “levanta a mais fundamental das questões sobre como nós veremos nossa humanidade no futuro e se daremos o dramático passo de modificar nossa própria linha germinal e, em certo sentido, assumir o controle de nosso destino genético, o que pode trazer um enorme perigo para a humanidade”.

O trabalho chinês, no entanto, mostra que ainda há muitos pontos a serem estudados, e que não criaremos bebês mais bonitos e saudáveis de uma hora para a outra. O estudo foi rejeitado pela Nature e pela Science por razões éticas, e acabou sendo publicado na revista de acesso aberto Protein & Cell.  Foram utilizados 86 embriões humanos “inviáveis”, mas apenas 71 sobreviveram ao processo. Destes, apenas uma fração realmente aceitou o material destinado a substituir os genes que causam a doença sanguínea. De qualquer forma, os genomas alterados eram uma mistura de células alteradas e inalteradas.

Houve vários problemas no estudo, incluindo o fato de que a técnica CRISPR muitas vezes erra seu alvo, inserindo o DNA no lugar errado no genoma. “Tal falha não apenas deixa de corrigir uma doença. Isso poderia criar sua própria doença”, escreveu Carl Zimmer no site da National Geographic.

Os autores chineses concluem seu estudo avisando que essas falhas precisam ser “investigadas cuidadosamente antes de qualquer aplicação clínica”.

Fonte: The Verge