Brasil é favorito na Copa mesmo sem Neymar, diz estatístico

Mesmo sem Neymar e Thiago Silva, o Brasil tem entre 45% e 47% de chance de vencer a Copa, diz Nate Silver, o estatístico mais famoso dos Estados Unidos

São Paulo — “Temos boas notícias para o Brasil. Mesmo sem Neymar e Thiago Silva, a seleção continua sendo a principal candidata a vencer a Copa do Mundo em nossas estimativas.”

Com essa frase, o estatístico Nate Silver resume sua confiança na seleção brasileira que, segundo ele, ainda tem entre 45% e 47% de chance de ser campeã (se o time estivesse completo, teria 54%).

Silver ficou famoso por ter previsto com exatidão o resultado da última eleição presidencial dos Estados Unidos em cada um dos 50 estados americanos. 

Ele recalculou suas estimativas sobre a Copa após a contusão de Neymar e a suspensão de Thiago Silva. Num longo artigo no site FiveThirtyEight, que agora pertence à ESPN, ele diz:

“O futebol é um esporte de equipe, e o Brasil é um time muito integrado. Pode-se debater se o Brasil sem Neymar e Silva é melhor que a Alemanha ou não. Mas o Brasil vai jogar em casa, onde a seleção nacional não perde uma partida desde 1975.”

O impacto de Neymar

A equipe de Silver recalcula as chances dos times ao final de cada dia de jogo. Os matemáticos usam um algoritmo chamado Soccer Power Index (Índice de Força no Futebol), SPI na sigla em inglês. O SPI leva em conta tanto o desempenho das seleções como o dos atletas em seus respectivos clubes. 

A força de Neymar, segundo o SPI, é 0,4. Isso significa que, se Neymar fosse substituído por um jogador de nível internacional médio (força zero), o saldo de gols médio do Brasil por partida de 90 minutos diminuiria 0,4 gol.

“Mas os jogadores que vão substituir Neymar estão muito acima da média”, afirma Silver. Ele considerou três candidatos a ocupar a posição do craque: 

Willian, Bernard e Jô. Em média, eles têm força 0,21.

“Willian, Bernard e Jô estão entre os 200 ou 250 melhores jogadores do mundo. Poderiam ser titulares na maioria das seleções desta Copa”, afirma Silver. Com a troca de Neymar por um deles, o saldo de gols médio do Brasil diminui 0,19 gol por partida.

Thiago Silva

O SPI funciona melhor para atacantes do que para jogadores da defesa. O sistema sabe quem marcou cada gol. Por isso, o desempenho dos atacantes pode ser avaliado com boa precisão.

Mas a defesa é um trabalho mais coletivo. Assim, a avaliação dos defensores é mais nebulosa. Para contornar essa imprecisão, Silver fez duas estimativas sobre a suspensão de Thiago Silva. 

A primeira é a do SPI. Ela indica que a força do jogador é 0,19. Silver considerou quatro candidatos a substituí-lo: Dani Alves, Dante, Henrique e Maicon. A força média dos quatro é 0,16.

Fazendo os arredondamentos adequados, Silver concluiu que a ausência de Thiago Silva deve reduzir o saldo de gols médio por partida do Brasil em 0,02.

A segunda estimativa leva em conta tanto o SPI como um ranking de jogadores feito pelo jornal londrino Guardian. Thiago Silva é o número 17 nesse ranking.

Com esse método alternativo, o impacto do jogador sobe para 0,37 gol por partida. O impacto dos quatro possíveis substitutos sobe para 0,22. E a perda do Brasil com a ausência de Silva passa a ser 0,14 gol por partida de 90 minutos.

As chances do Brasil

Com o time completo, afirma Silver, o Brasil teria 73% de chance de vencer a Alemanha nesta terça-feira. Sem Neymar e Thiago Silva, a probabilidade cai para 65% ou 68%, dependendo do método empregado para avaliar a suspensão de Silva.

O jogo vai ser mais difícil (o que é óbvio), mas o Brasil continua favorito do ponto de vista matemático. Se o Brasil vencer a Alemanha, vai enfrentar Argentina ou Holanda na final. Na avaliação de Silver, a Argentina é mais forte.

Contra ela, o Brasil sem Neymar teria 67% de chance de vencer a partida final (seriam 72% com o time completo). Contra a Holanda, a probabilidade de vitória sem Neymar é 73% (com o time completo, subiria para 77%).

Combinando tudo isso, Silver estima que a probabilidade de o Brasil ser campeão é de 45% ou 47% (novamente, dependendo do método de cálculo). Se o time estivesse completo, seria 54%.