5 estudos feitos na Estação Espacial que beneficiam a Terra

A Estação Espacial Internacional fez 15 anos nesta semana. Várias pesquisas científicas feitas nela beneficiam os humanos na Terra. Veja algumas delas a seguir

São Paulo – No dia 02 de novembro de 2000, a expedição número um da Nasa chegou à Estação Espacial Internacional (ISS, em inglês) com três astronautas – um americano e dois russos. Desde então, 220 homens e mulheres de 17 países, incluindo o Brasil, visitaram a estação.

Foram necessárias 45 expedições e mais de 115 voos espaciais em cinco tipos diferentes de veículos lançadores para construir a ISS. Atualmente, ela tem 110 metros de comprimento e pesa mais de 420 toneladas.

Durante esses 15 anos, mais de 1.200 resultados científicos foram publicados com base em mais de 1.760 estudos feitos por pesquisadores de 83 países dentro do laboratório orbital. Muitas dessas pesquisas ajudaram a melhorar a vida na Terra. Veja algumas delas a seguir.

Desenvolvimento de vacinas

Timothy Hammond, pesquisador do Centro Médico de Durham VA (EUA), e Cheryl Nickerson, cientista da Universidade Estadual do Arizona (EUA), utilizaram da microgravidade (ausência de peso) para procurar agentes terapêuticos ou vacinas contra a bactéria salmonela.

Conhecida há mais de um século, a salmonela – presente em muitas intoxicações alimentares – é considerada uma das três principais causas de mortalidade infantil no mundo. Hammond e Nickerson decidiram fazer o experimento no espaço, pois a bactéria tem uma capacidade maior de causar doenças e ser mais resistente aos antibióticos nessa situação.

Os alvos identificados a partir de cada uma dessas alterações induzidas pela microgravidade servem para acelerar o desenvolvimento de novas vacinas destinadas a tornar o corpo humano resistente a essa e outras bactérias.

Remoção de tumores

Em 2008, a canadense Paige Nickason descobriu que tinha neurofibromatose, uma doença genética que permite o surgimento de tumores benignos múltiplos no sistema nervoso.

Com o objetivo de ajudar Nickason, o neurocirurgião Garnette Sutherland, teve a ideia de trazer para a Terra a tecnologia dos braços robóticos Canadarm, Canadarm2 e Dextre, instalados na ISS para manipular cargas no espaço.

Chamado de neuroArm, o braço mecânico criado por Sutherland e sua equipe, fez a cirurgia da canadense dentro de uma máquina de ressonância magnética. Desde essa intervenção cirúrgica, o neuroArm já foi utilizado em experiências clínicas com 35 pacientes.

Outro robô adaptado do espaço para a Terra é o Image-Guided (IGAR). Ele também funciona dentro de um aparelho de ressonância magnética e ajuda a identificar com precisão o tamanho e a localização de um tumor.

Purificação de água

Não importa se o homem está na Terra ou no espaço, a água é um elemento essecial para a sua existência. No entanto, fora do nosso planeta, a água não é tão fácil de ser encontrada. Por isso, a Nasa desenvolveu um sistema que reutiliza todos os líquidos produzidos na Estação Espacial – até mesmo os advindos da urina e do suor.

Desde a ativação do programa em novembro de 2008, mais de 10 toneladas de água potável foram recicladas a partir da urina dos astronautas.

Usando essa tecnologia desenvolvida para a ISS, a Nasa, juntamente a outras organizações, está implantando esse tipo de processamento de água em áreas na Terra onde sistemas de filtragem de água não existem.

Monitoramento de desastres naturais

O Sistema de Visualização e Pesquisa Ambiental da ISS (ISERV) captura imagens da Terra do espaço. Além de fazer fotografias incríveis do planeta, o aparelho disponibiliza imagens para países em desenvolvimento afetados por desastres naturais.

As fotografias ajudam os países a responder rapidamente a inundações, incêndios, erupções vulcânicas, desmatamento, proliferação de algas nocivas e outros tipos de eventos naturais.

O ISERV é, basicamente, uma câmera acoplada a um telescópio que fica dentro da ISS. Como a estação passa sobre mais de 90% das áreas povoadas da Terra a cada 24 horas, o sistema coleta até mil imagens por dia.

Tratamento para osteoporose

Nas primeiras expedições para a Estação Espacial, pesquisadores da Nasa notaram que os astronautas estavam perdendo cerca de 1,5% de sua densidade total de massa óssea por mês. Foi a partir dessa descoberta que eles decidiram estudar os mecanismos que controlam os ossos e os músculos humanos.

Os cientistas descobriram que exercícios de alta intensidade, o uso de vitamina D e uma dieta calórica específica podem remediar a perda de massa óssea no espaço.

Além disso, eles conduziram um estudo com camundongos em órbita para compreender os mecanismos da osteoporose. Essa investigação levou à criação do Prolia, um remédio que trata pessoas com a doença