Você teria acertado esta questão de português do concurso do TJ?

Professor de Língua Portuguesa, Diogo Arrais, comenta questão que caiu no concurso de escrevente do Tribunal de Justiça de São Paulo

Na semana passada, houve um importante concurso público, no estado de São Paulo, para o cargo de Escrevente do Tribunal de Justiça. Mais uma vez, conhecer os aspectos normativos pronomes foi fundamental à obtenção de uma boa nota em Língua Portuguesa. Vejamos a questão abaixo:

Assinale a alternativa em que a frase baseada nas falas dos quadrinhos apresenta emprego e colocação de pronomes de acordo com a norma-padrão. 

(A) A menina afirmou ao garoto que poderá processar ele, caso este não ajudar-lhe com a lição de casa.

(B) Em resposta à menina, o garoto resolveu perguntá-la onde estava o advogado dela.

(C) O garoto respondeu à menina, perguntando-a onde estava o advogado dela.

(D) A menina ameaçou processar-lhe, caso o garoto não ajudasse-a com a lição de casa.

(E) A menina afirmou ao garoto que poderia processá-lo, se este não a ajudasse com a lição de casa.

             Na opção A, percebemos um desvio – em relação à norma-padrão – muito comum na fala do brasileiro:  a utilização do pronome pessoal do caso reto como complemento de um verbo transitivo direto (processar). Em acordo aos princípios gramaticais, vale um lembrete:  os pronomes pessoais do caso reto existem – originalmente – para a função de sujeito da oração (apesar de ser possível perceber construção oracional moderna com “ele”, “ela”, “nós” como complemento, auxiliados por preposição).

            Já os pronomes oblíquos (me, mim, ti, lhe, se, o, a e todos os outros) existem para a função de complemento da oração. Em suma: “processar ele” não, mas sim “processá-lo”.

            Além disso, na letra A, notam-se as indevidas conjugação e colocação pronominal. A frase correta seria: “A menina afirmou ao garoto que poderá processá-lo, caso este não a ajudasse com a lição de casa.”

            Na opção B, há o uso indevido de “o, a” como complemento de um verbo transitivo indireto. Lembremo-nos de: verbos que exigem a preposição possuem a transitividade indireta, como é o caso do verbo  “perguntar”. Assim sendo, o pronome oblíquo átono correspondente a tal transitividade é o “lhe”.

            Lá na questão,  o verbo perguntar está no sentido de “solicitar informação; indagar; inquirir”:  o garoto resolveu perguntar-lhe (a ela, a alguém, objeto indireto) onde estava o advogado.

            Na opção (C), novamente se percebe o desvio comentado acima. A frase correta seria: “O garoto respondeu à menina, perguntando-lhe onde estava o advogado dela.”

            Na opção (D), houve o inverso: o indevido uso de “lhe” representando um objeto direto. O verbo “processar” é transitivo direto, não exige preposição. Além disso, é preciso corrigir a posição do pronome “a” (que deve vir antes do verbo em função da determinação da expressão proclítica “não”): “A menina ameaçou processá-lo, caso o garoto não a ajudasse com a lição de casa.”

            Portanto, após identificar os erros das outras opções, vê-se a letra correta, de acordo com padrão gramatical: E.

            Um abraço, até a próxima e siga-me pelo Twitter!

Diogo Arrais

@diogoarrais

Professor de Língua Portuguesa – CPJUR – portalcpjur.com.br

Autor Gramatical pela Editora Saraiva

Comentários

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