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Última atualização 27/06/2017 - 17:21 FONTE

Você já se sentiu um impostor?

A síndrome do impostor é um fenômeno que atinge muitos profissionais. Saiba como identificá-la

São Paulo – Recentemente a atriz inglesa Emma Watson, conhecida por interpretar a personagem Hermione Granger da série Harry Potter, que arrebatou uma legião de fãs, declarou que se sente uma fraude.

Mesmo tendo crescido num set de filmagem e ganhado renome internacional numa superprodução cinematográfica, ela duvida dos seus dotes de atriz. Até mesmo a toda poderosa do facebook Sheryl Sandberg, já admitiu ter se sentido uma fraude em algum momento da carreira.

Essa sensação tem nome, chama-se síndrome do impostor. A síndrome do impostor é um fenômeno caracterizado por uma sensação de incompetência, os profissionais não creditam ao talento seu sucesso e acreditam que chegaram lá por pura sorte e que logo serão desmascarados. 

A VOCÊ S/A entrevistou a psicóloga e especialista americana Valerie Young, que escreveu o livro “Os pensamentos secretos das mulheres de sucesso” sobre a síndrome que atinge mulheres em sua maioria.

VOCÊ S/A – O que causa a síndrome? Quais são os principais sintomas?

Valerie Young – É o sentimento de que mesmo que você seja um grande realizador, com prêmios, boas notas, promoções, você não se sente merecedor do sucesso. Você fala: sim, eu tenho sucesso, mas posso explicar tudo isso. E fica buscando razões para isso. 

Baixa autoestima é mais um senso global que você tem sobre si mesmo, enquanto a síndrome do impostor se refere mais à questão profissional.

Se você é perfeccionista, você nunca está satisfeito. Sempre acha que pode fazer mais.


VOCÊ S/A – Quais são os sinais de que você pode ter a síndrome?

Valerie Young – Você tem síndrome do impostor quando sente que está enganando as pessoas. 

A única razão do meu sucesso é que eu trabalho mais do que todo mundo. Mas naturalmente se você trabalha duro, o sucesso é uma consequência. Procrastinação também é uma consequência. 

Você limpa a casa e faz outras coisas em vez de fazer seu trabalho. Aí você faz o trabalho de última hora e não fica tão bom quanto poderia ser.

VOCÊ S/A – A síndrome tem alguma relação com a idade? 

Valerie Young – Sim porque você precisa ter algumas conquistas para se sentir como um impostor. Não vejo muito em crianças, mas vejo em estudantes, universitários etc. Pessoas nos 70 anos que acham que conseguiram oportunidade de fazer algo prestigioso e não se acham merecedores, mas poxa, você tem 75 anos!!

VOCÊ S/A – Como é possível lutar contra a síndrome? 

Valerie Young – Nós impostores sentimos vergonha quando falhamos. Quanto mais você puder normalizar os momentos de impostor é dizer para si mesmo: esse é apenas um sentimento de impostor. 

Se os sentimentos não forem embora totalmente, é preciso saber dizer a si mesmo que esse é um caso de síndrome. É bom entender que falhar faz parte. Em vez de focar no erro, foque no que podemos aprender do erro. Não é possível vencer o tempo todo. 

Enfrrente a grandes desafios, em vez de pensar que você não vai conseguir, pense: uau, eu realmente vou aprender com isso.

VOCÊ S/A – Ontem e hoje houve uma mudança nas manifestações da síndrome?

Valerie Young – É muito fortemente pesquisado, porque muitos pesquisadores se identificam com a síndrome e pesquisam sobre.

A diferença que eu vi em mulheres é que as mulheres estavam entrando no mercado branco de trabalho, mas eu acho que as mulheres estavam tão estressadas em fazer todos esses múltiplos trabalhos, que elas mudam o conceito de sucesso: balanço entre fazer a diferença, satisfação, família, amigos e trabalho.

Para os homens, é mais dinheiro. Você recebe uma promoção, mas questiona se é isso mesmo que quer. Não preferiria trabalhar menos e ter mais vida pessoal?