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Última atualização 26/05/2017 - 17:20 FONTE

Você acertaria esta questão de português em concurso público?

Professor Diogo Arrais comenta questão de concurso público que cobra conhecimentos de verbos e pronomes. Topa o desafio?

Durante a preparação a um processo seletivo, são fundamentais os exercícios comentados, pois eles expõem – além do item correto – as justificativas aos itens incorretos. Vejamos o desafio abaixo:

Assinale a alternativa cujos verbos estão corretamente conjugados e cujos pronomes estão colocados na frase de acordo com a norma-padrão.

(A) Talvez transformemo-nos em uma sociedade de caranguejos-eremitas, que carrea no lombo as casas.
(B) Provavelmente com isso nos mantêssemos protegidos do encontro com o exterior.
(C) Se eu nunca me vir, como saberei que outros me verão e intervirão, se necessário?
(D)… como a comunidade debilitará-nos, até a individualidade se desfará.
(E) Nos tornaremos seres autossuficientes se nos predispormos ao isolamento?

Na letra A, o pronome oblíquo átono “nos” não deve estar enclítico, ou seja, após o verbo. A colocação pronominal correta, nesse caso, é proclítica, ou seja, antes do verbo. Isso se dá pela existência do advérbio “talvez”, já que expressões adverbiais são palavras determinantes para que o pronome esteja antes do verbo.

Apesar de o subjuntivo do verbo transformar estar correto, com a forma “transformemos”, a forma verbal “carrea” está incorreta. Carrear, verbo proveniente da união entre “carro” e “-ear”, significa “conduzir em carro”, “levar”, “arrastar” e tem a seguinte conjugação no presente do indicativo: eu carreio, tu carreias, ele carreia, nós carreamos, vós carreais, eles carreiam.

Na letra B, existe um erro clássico em relação ao verbo manter. É absurda a forma “mantêssemos”! Como a ideia textual envolve a incerteza, é adequado o tempo futuro do pretérito, do modo indicativo: “manteríamos”.

Na letra D, há um erro em relação à colocação pronominal, uma vez que o futuro do presente exige a mesóclise (pronome entre a expressão verbal). Os dois verbos, adequados à língua-padrão, devem assim ser registrados à frase em questão: “debilitar-nos-á” e “desfar-se-á”.

Aqui vale um lembrete: de acordo com os princípios da colocação pronominal, verbos no futuro do presente ou no futuro do pretérito – desacompanhados de quaisquer termos de próclise – são determinantes à mesóclise.

Na letra E, há um “pecado”: início de frase com pronome oblíquo átono. Os termos “me, te, se, o(s), a(s), lhe(s), nos, vos” – pronominais – nunca devem iniciar mensagem, de acordo com a norma. Mais uma vez, encontramos o verbo no futuro, sendo obrigatória a mesóclise: “tornar-nos-emos”. Além disso, no item E, a conjugação do verbo “predispor”, obedecendo à condicionalidade do subjuntivo, deve assim ser: “predispuséssemos”. Em suma, toda a sentença: “Tornar-nos-emos seres autossuficientes se nos predispuséssemos ao isolamento?”.

Por fim, a letra C: corretíssima. A forma “vir”, atendendo à ideia futurística da frase, representa o subjuntivo do verbo “ver”: vir, vires, vir, virmos, virdes, virem. Atende também à norma gramatical a forma “intervirão”- futuro do presente do verbo “intervir”.

Um abraço, até a próxima e siga-me pelo Twitter!
Diogo Arrais
@diogoarrais
Professor de Língua Portuguesa – CPJUR – portalcpjur.com.br
Autor Gramatical pela Editora Saraiva